Uma
sessão marcada por tumultos e que durou mais de oito horas
viabilizou a desobstrução da pauta do Senado, com a
votação de três medidas provisórias, entre
elas a que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Em votação simbólica, o Senado Federal aprovou a criação da TV pública.
O
processo de votação só não varou a
madrugada por conta de uma manobra do líder do governo, Romero
Jucá (PMDB-RR), que recomendou à base aliada que
rejeitasse a Medida Provisória (MP) 397, que estende ao trabalhador rural autônomo
enquadrado como contribuinte individual o prazo de dois anos para
requerer aposentadoria por idade no valor de um salário
mínimo, por já existir, na Câmara, proposta
semelhante.
Os
parlamentares do PSDB e do Democratas, em reação à
iniciativa do líder do governo, se retiraram do plenário.
Os
líderes Arthur Virgílio Neto e José Agripino
Maia, do PSDB e DEM respectivamente, prometem dificultar as próximas
votações na Casa obstruindo, a partir de hoje (12), a votação do orçamento e pedindo vistas de todos os projetos de iniciativa do Executivo que
estão nas comissões temáticas, inclusive
indicações de diplomatas para servir no exterior e
diretores de agências reguladoras.
“Nunca
mais haverá um acordo nesta Casa. Amanhã não
passa nada nas comissões, vamos pedir vistas de tudo. O
comportamento será assim, inclusive no orçamento. A
partir de amanhã o Senado vai viver uma situação
de confronto entre governo e oposição”, anunciou o
líder tucano.
A
queda de braço entre governistas e oposição no
processo de discussão e votação das medidas provisórias foi marcada pela iniciativa dos governistas de tentar acelerar o processo de
apreciação das matérias. Por outro lado, a
oposição fez uso de discursos seguidos, apartes e
questões de ordem, além da obstrução,
para protelar as votações.
A
estratégia dos oposicionistas acarretou em mais de seis horas
de discussões para que se concluísse o processo de
votação da Medida Provisória 396/07 que autoriza
a União a troca antecipada de certificados financeiros do
Tesouro Nacional por recursos dos fundos de previdência
estaduais. Ela também autoriza a ampliação das
atividades de mercado para a Eletrobrás.
Em
seguida, Romero Jucá, relator da MP 397, informou que a medida
em análise era fruto da revogação da MP 385/07.
Segundo ele, proposta idêntica foi aprovada pela Câmara o
que retira o preceito constitucional de urgência e que
justificaria a sua derrubada.
Ainda
durante as discussões em torno da MP 396, o líder do
governo avisou a oposição que a base governista não
"abaixaria a cabeça" à oposição.
"A oposição não dobrará a base do
governo. Não é intenção baixar a cabeça
para a oposição", afirmou o Romero Jucá.
Com
a decisão do DEM e do PSDB de abandonar o plenário, as
votações transcorreram de forma rápida
viabilizando a apreciação das matérias.
“Isso foi o troco da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira]”, afirmou o líder do PTB,
Epitácio Cafeteira (MA), comentando a iniciativa do líder
Romero Jucá que derrubou a estratégia da oposição
em protelar ao máximo a votação.