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12 de Março de 2008 - 23h31 - Última modificação em 12 de Março de 2008 - 23h31


Crise na América Latina acabou, avalia secretário-geral do MRE

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Embora Equador e Colômbia ainda não tenham reatado relações diplomáticas, o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, disse acreditar que terminou a crise política na América Latina desencadeada pelo ataque militar colombiano contra acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano.

“Certamente houve uma situação de crise muito importante, mas felizmente, num esforço dos países envolvidos, chegou-se a uma situação de dissolução desta crise”, afirmou, em entrevista exclusiva antes de participar do programa Diálogo Brasil, nos estúdios da TV Brasil.

Para Guimarães, também não houve risco efetivo de guerra na região, uma vez que Equador, Colômbia e Venezuela têm “profundos interesses” comuns. O diplomata citou números: as exportações da Colômbia para a Venezuela cresceram de US$ 2,2 bilhões em 2004 para mais de US$ 5 bilhões em 2007 – a Venezuela é o segundo principal mercado para produtos colombianos e o principal mercado para produtos manufaturados colombianos.

E lembrou que há na Venezuela cerca de 1,5 milhão de refugiados colombianos. “O comércio entre o Equador e a Colômbia também é muito intenso”, frisou.

A Venezuela restabeleceu relações diplomáticas com a Colômbia logo após a reunião do Grupo do Rio em Santo Domingo, na última sexta-feira (7), quando os presidentes dos três países deram por encerrada a crise regional. O Equador deve seguir o mesmo caminho – de acordo com Guimarães, a pedido do governo do Equador a Argentina está representando os interesses do país em Bogotá. “Tudo indica que ela [relação diplomática] irá voltando à normalidade anterior”, opinou.

O embaixador defendeu a atuação brasileira na crise diplomática entre os países vizinhos. Logo após a ação colombiana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com os presidentes dos dois países e com outros mandatários sul-americanos, e chegou a receber o equatoriano Rafael Correa em Brasília. Por sugestão brasileira, a Organização dos Estados Americanos (OEA) criou uma comissão de investigação para apurar as circunstâncias da operação militar colombiana.

“A posição do Brasil foi muito firme, muito ativa a favor da paz, a favor da reconciliação. Todas as partes interessadas procuraram o presidente Lula. O fato é que conseguimos o resultado que queríamos, que era o apaziguamento dos ânimos entre os países, a reconciliação. Não entendo muito o que às vezes mencionam como uma atitude mais firme”, comentou.

Hoje à tarde, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, revelou que o presidente Lula chegou a mencionar a hipótese de criação de um grupo de países amigos, a exemplo do que ocorreu em 2003. De acordo com o chanceler, Lula falou com Álvaro Uribe sobre o assunto, mas o presidente colombiano descartou a idéia.



 


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