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Brasília - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva assinou hoje uma mensagem encaminhando ao
Congresso Nacional um projeto de lei que prevê que a concessão
do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social
seja feita pelos ministérios correspondentes às áreas
de cada entidade.
Com a nova regra, por
exemplo, os hospitais filantrópicos receberão o
certificado do Ministério da Saúde, as entidades de
ensino serão avaliadas pelo Ministério da Educação
e as entidades de assistência social vão receber o aval
do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome. Hoje quem avalia e concede os certificados é o Conselho
Nacional de Assistência Social (CNAS).
Atualmente, existem
cerca de 8 mil entidades beneficentes no país, que deixam de
arrecadar quase R$ 4 bilhões por ano aos cofres
públicos.
“Cada ministério vai poder regular
melhor, fiscalizar melhor. Para as entidades também vai ser
melhor, porque elas vão ter uma legislação
precisa, vão saber o que se espera delas em cada política
pública”, explicou a secretária nacional de
Assistência Social, Ana Lígia Gomes.
Outra mudança
prevista no projeto de lei encaminhado ao Congresso é que,
após a emissão do certificado, o Ministério da
Fazenda vai ficar encarregado de analisar quais entidades poderão
ser isentas da contribuição da cota patronal, ou seja,
quem poderá deixar de recolher ao Instituto Nacional de Seguro
Social (INSS) a contribuição de 20% sobre a folha de
salários da entidade. Atualmente, a função cabe
ao Ministério da Previdência.
Para o presidente do
CNAS, Silvio Iung, as mudanças podem fazer com que as
entidades filantrópicas deixem de ser vistas como “vilãs”.
Segundo ele, não existem irregularidades, mas falta de regras
claras para o setor.
“Eu discordo que a gente tenha um monte de
irregularidades. Acho que o que falta mesmo é uma clareza a
respeito do que se espera das entidades. É a ausência de
regras claras que traz essa nuvem turva ao processo, menos do que a
intenção das entidades. Não se nega que haja
irregularidades, que haja entidades ou pessoas que se aproveitam
disso, mas a minha convicção é de que faltam
regras claras”, afirmou.
A proposta prevê que cada
ministério deverá regulamentar a validade dos
certificados, que atualmente é de três anos.
Segundo
Iung, uma das idéias é que a validade seja de um a três
anos. “Reduzir de três para um ano pode gerar um problema
burocrático de tal monta que talvez não se consiga
atender. Esse é um receio”, avaliou.
Outra proposta é
que as entidades mistas sejam desmembradas para que cada ministério
cuide apenas das áreas específicas.
“Se for uma
entidade que realiza simultaneamente serviços de assistência
social e educação, ela vai ter que ser desmembrada”,
explicou Iung. Para ele, essa mudança deve gerar polêmica
no Congresso Nacional.
O presidente do CNAS acredita que, mesmo
com as eleições municipais, a proposta pode ser
aprovada em um prazo de um ano. “É um tema que interessa
muito à sociedade. As entidades têm vinculação
com deputados, senadores, é uma causa que vai despertar muito
interesse por parte dos parlamentares”, disse Iung.
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