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Rio de Janeiro - A realização
de uma reforma que dê mais flexibilidade ao orçamento do
país foi um dos pontos defendidos por uma pesquisa da Fundação
Getulio Vargas, divulgada hoje (13). A pesquisa avaliou processos de
ajuste fiscal realizados em vários países, como Rússia,
Índia, México, Nova Zelândia e Turquia, e como
poderiam ser adaptados à realidade brasileira.
Segundo a pesquisa,
no Brasil, apenas entre 3% e 5% do orçamento é
discricionário, sendo decidido por lei orçamentária.
O restante corresponde à parte não-discricionária,
comprometida com despesas fixas, como previdência e folha de
pagamento.
O economista Rubens
Penha Cysne, um dos coordenadores da pesquisa, avalia que é
preciso utilizar "o orçamento como instrumento de
gestão". Segundo ele, "o exemplo mais claro, onde
isso foi feito com sucesso em um país que também estava
passando por queda de exportações e problemas na
substituição de importações em função
da valorização do câmbio, foi os Estados Unidos".
O plano
norte-americano Gramm-Rudman Hollings, de 1985, foi uma das
experiências destacadas pelo economista. Nos Estados Unidos, as
despesas discricionárias podem chegar a 35% do orçamento,
e a parte discricionária ainda conta com mais flexibilidade
para ser alterada.
"Estabeleceu-se
nos Estados Unidos uma meta para as despesas discricionárias e
para as não-discricionárias. Mas sempre que as
não-discricionárias se inflavam em função
de uma nova lei, o Congresso tomava a iniciativa de propor o que eles
chamavam de leis de reconciliação, fazendo com que
algumas dessas despesas, decididas por outras formas legais, pudessem
ser reduzidas", explicou Penha Cysne.
Para o economista,
o "que serve de base para o Brasil não é
exatamente o plano, mas como a peça orçamentária
pode ser útil para resolver um problema que poderia parecer
cambial, mas é de despesa pública". Ele disse
ainda "que o Brasil teria muito a ganhar, se os deputados e
senadores que hoje votam o orçamento tivessem um espaço
maior para decisão. Seria mais interessante que cada
legislatura decidisse sobre as despesas, do que escravizar essa
legislatura deixando-a presa ao passado".
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