|
Brasília - Os partidos de oposição
prometem obstruir a pauta nas votações de todas as
medidas provisórias (MPs) no Senado. A decisão é
uma resposta à sessão plenária da última
terça-feira (11), quando o líder do governo na Casa,
Romero Jucá (PMDB-RR), recomendou a rejeição de
uma MP para que a pauta pudesse ser destrancada.
Além disso, DEM e PSDB
prometem exigir a mudança no rito de tramitação
das MPs. “Nosso campo de batalha está focado na edição
desmesurada de medidas provisórias”, disse o líder do
DEM, José Agripino (RN). “O nosso ponto fulcral é a
limitação de medidas provisórias e a redefinição
do rito de MP. Até que isso aconteça haverá a
obstrução a toda e qualquer medida provisória.
Se for MP, não conte conosco.”
Ele sugeriu que as MPs passem antes
pelas Comissões de Constituição e Justiça
da Câmara e do Senado antes de tramitar. “Se ela for
considerada constitucional, urgente e relevante, tramita. Se não,
morre ali e não entra em eficácia”, comentou.
Agripino disse que o relacionamento
com o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), está
mantido. “Ele tem dado demonstrações de desejo de
mudar o rito das MPs e pretendo manter a interlocução
com ele”, disse.
O líder do PSDB, Arthur
Virgílio (AM), afirmou não ter mais “interlocução”
com Garibaldi nem com o líder Romero Jucá depois da
sessão de terça-feira. “Não temos interlocução
com o líder do governo no Senado e não temos como pisar
no gabinete do presidente Garibaldi Alves por entender que aquela
sessão foi um fato vergonhoso. Mais vergonhoso ainda quando
[Garibaldi] prosseguiu a sessão sem a nossa presença”,
disse. Na ocasião, a oposição deixou o plenário
em protesto.
“No Senado temos duas lutas: a luta
contra o abuso de medidas provisórias e uma luta que não
vai acabar enquanto o governo não se comprometer com clareza a
nunca mais reeditar aquela cena lamentável de interditar o
debate”, completou.
|