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14 de Março de 2008 - 16h25 - Última modificação em 14 de Março de 2008 - 16h29


Grandes metrópoles brasileiras não sobreviveriam sem barragens, afirma engenheiro

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

 
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Antonio Cruz/ABr
Brasília - Professor de engenharia florestal da Universidade de Brasília (UNB), Henrique Leite Chaves, fala sobre a luta contra barragens Brasília - Professor de engenharia florestal da Universidade de Brasília (UNB), Henrique Leite Chaves, fala sobre a luta contra barragens
Brasília - Quase todas as regiões metropolitanas brasileiras precisam de barragens para armazenar água durante a época de chuva. Cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte não conseguiriam abastecer suas populações se não existissem represas.

A avaliação é do professor de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB) Henrique Leite Chaves que acredita que usinas hidrelétricas garantem o crescimento e o desenvolvimento do país.

“A hidrelétrica, pelo volume e pela grande energia geradas, tem um apelo muito forte em países como o Brasil. Se o país quiser manter as taxas de crescimento que deseja e pretende, e atender as demandas de emprego, de bens e ofertas de produtos, temos que aumentar essa oferta de energia porque a demanda hoje é maior do que a oferta. Se a população quer ter água em casa e energia garantida, e não apenas na ápoca de chuva, são fundamentais obras como essas.”

Ele lembra que o Brasil, apesar de ser o quarto maior país em área do mundo – com mais de 8 milhões de quilômetros quadrados –, possui “apenas” 20% do seu potencial hidrelétrico explorado.

Chaves reforça, entretanto, que como toda obra, a construção de barragens possui aspectos positivos e negativos a serem considerados.

“É uma mão de duas vias. Quando uma área é inundada, não há muito o que fazer. Aquele ambiente de rio passa para um ambiente de lago. Há uma mudança radical. Vai haver uma perda de área de floresta, de cerrado ou de áreas agrícolas. Tem que se examinar qual seria o benefício, o outro lado da moeda. Que há uma perda, há. Mas, feito de maneira criteriosa, essas perdas podem ser minimizadas e quando comparadas a perdas de outras alternativas, podem ser interessantes.”

Para Chaves, podem ser detectadas no país barragens “boas e ruins”. Para ser considerada uma boa obra, a represa precisa possuir uma pequena área inundada e um volume relativamente grande de produção de energia. 

“Um bom exemplo é Itaipu, que gera uma quantidade enorme de energia para o Brasil e para o Paraguai de maneira sustentável, sem inundar uma grande área. Os municípios ribeirinhos estão recebendo essas compensações. Já uma barragem que deveria ser repensada é Balbina [na região amazônica].”

Chaves destaca que, apesar de “atrativa”, a energia hidrelétrica deve ser confrontada com alternativas.

“Não há uma solução mágica, dizendo que uma hidrelétrica é melhor ou que outra forma de aproveitamento é melhor. A decisão sobre o tipo de geração elétrica deve ser analisado no local, levando em conta os critérios de potencial elétrico e a questão ambiental e social.”

Para o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), o número de represas construídas no Brasil é suficiente para abastecer todo o país e ainda poderia ajudar a suprir a necessidade de energia elétrica em países vizinhos.


 


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