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Antonio Cruz/ABr
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Brasília - Professor de engenharia florestal da Universidade de Brasília (UNB), Henrique Leite Chaves, fala sobre a luta contra barragens
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Brasília - Quase
todas as regiões metropolitanas brasileiras precisam de
barragens para armazenar água durante a época de chuva. Cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro
e Belo Horizonte não conseguiriam abastecer suas populações
se não existissem represas.
A avaliação é
do professor de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília
(UnB) Henrique Leite Chaves que acredita que usinas hidrelétricas garantem o crescimento e o desenvolvimento do país.
“A
hidrelétrica, pelo volume e pela grande energia geradas, tem
um apelo muito forte em países como o Brasil. Se o país
quiser manter as taxas de crescimento que deseja e pretende, e
atender as demandas de emprego, de bens e ofertas de produtos, temos
que aumentar essa oferta de energia porque a demanda hoje é
maior do que a oferta. Se a população quer ter água
em casa e energia garantida, e não apenas na ápoca de
chuva, são fundamentais obras como essas.”
Ele
lembra que o Brasil, apesar de ser o quarto maior país
em área do mundo – com mais de 8 milhões de
quilômetros quadrados –, possui “apenas” 20% do seu
potencial hidrelétrico explorado.
Chaves reforça, entretanto, que como
toda obra, a construção de barragens possui aspectos
positivos e negativos a serem considerados.
“É
uma mão de duas vias. Quando uma área é
inundada, não há muito o que fazer. Aquele ambiente de
rio passa para um ambiente de lago. Há uma mudança
radical. Vai haver uma perda de área de floresta, de cerrado
ou de áreas agrícolas. Tem que se examinar qual seria o
benefício, o outro lado da moeda. Que há uma perda, há.
Mas, feito de maneira criteriosa, essas perdas podem ser minimizadas
e quando comparadas a perdas de outras alternativas, podem ser
interessantes.”
Para
Chaves, podem ser detectadas no país barragens “boas e
ruins”. Para ser considerada uma boa obra, a represa precisa possuir uma pequena área
inundada e um volume relativamente grande de produção de energia.
“Um bom
exemplo é Itaipu, que gera uma quantidade enorme de energia
para o Brasil e para o Paraguai de maneira sustentável, sem
inundar uma grande área. Os municípios ribeirinhos
estão recebendo essas compensações. Já
uma barragem que deveria ser repensada é Balbina [na região
amazônica].”
Chaves
destaca que, apesar de “atrativa”, a energia hidrelétrica
deve ser confrontada com alternativas.
“Não
há uma solução mágica, dizendo que uma
hidrelétrica é melhor ou que outra forma de
aproveitamento é melhor. A decisão sobre o tipo de
geração elétrica deve ser analisado no local,
levando em conta os critérios de potencial elétrico e a
questão ambiental e social.”
Para o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), o número
de represas construídas no Brasil é suficiente para abastecer todo o país e ainda poderia ajudar a suprir a necessidade de energia elétrica em
países vizinhos.
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