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14 de Março de 2008 - 21h30 - Última modificação em 14 de Março de 2008 - 21h45


Moradores e prefeito de Tabatinga (AM) pedem saída de delegado da Polícia Federal

Vladimir Platonow
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Valter Campanato/ABr
Tabatinga (AM) - Populares fazem manifestação contra o delegado da Polícia Federal que teria dado a seguinte declaração:
Tabatinga (AM) - Populares fazem manifestação contra o delegado da Polícia Federal que teria dado a seguinte declaração: "Em Tabatinga, quem não traficou, um dia vai traficar"
Tabatinga (AM) - Liderados pelo prefeito Joel Santos de Lima, cerca de mil moradores da cidade promoveram hoje (14) uma passeata até a sede da Polícia Federal, em protesto contra a declaração atribuída ao delegado federal Eduardo Primo, de que "em Tabatinga, quem não trafica, um dia vai traficar".

A declaração foi publicada em um portal de notícias na internet no último dia 10 e reproduzida em jornais da região. Na passeata, dezenas de mototaxistas foram acompanhados por crianças das escolas municipais, professores e funcionários da prefeitura, liberados mais cedo. 

Em frente à delegacia da PF, o prefeito discursou lamentando a reportagem e os moradores pediram a saída do delegado. Indagado se Primo deveria ficar ou ir embora, Joel Santos de Lima afirmou: "Por mim, ele vai, que eu não sou hipócrita."

O delegado disse ver com naturalidade a manifestação dos moradores – "um direito assegurado pela Constituição" – e acrescentou que a saída do cargo "é uma decisão dos órgãos centrais do Departamento e com certeza cumprirei minha missão em outra cidade do Brasil”.

Primo chegou a enviar um documento à Câmara de Vereadores negando que tenha usado os termos publicados e pedindo desculpas à população pelo mal-entendido. E em entrevista à Agência Brasil, repetiu: “Eu não disse isso. Falei que em Tabatinga temos muito traficantes. É uma realidade constatada no número de pessoas presas quase diariamente. E, neste contexto, disse que, se não houver uma ação de governo que viabilize a melhoria na qualidade de vida da população aqui, possivelmente o caminho dos jovens será o tráfico.”

Segundo o delegado, podem haver outros motivos por trás da manifestação, entre eles a proibição da venda de gasolina de forma clandestina na cidade, como ocorria até janeiro. O combustível era comprado na cidade vizinha de Leticia, na Colômbia, onde custa cerca de R$ 1 a menos, e era comercializado em garrafas pelas ruas.

“Na cidade de Tabatinga se vendia gasolina em todas as esquinas, contrabandeada da Colômbia. Muitas pessoas ganhavam muito dinheiro com o transporte irregular de combustível”, contou.

Entre os manifestantes estava o mototaxista Geisel Parente Ferreira, que protestou: “Achei uma coisa injusta o que ele fez. Nem todo mundo é traficante. Eu trabalho 24 horas, pegando sol e chuva, poeira nos olhos, para ganhar o meu pão de cada dia, e não trabalho com drogas.”

Para o prefeito, a venda de gasolina nas ruas não era uma coisa grave. “Vender gasolina nunca fez mal a ninguém neste município. Isso é coisa que é crime? Pode ser um crime, mas é uma necessidade”, justificou Outro crime que sofreu maior repressão neste ano, segundo o delegado Primo, foi o tráfico de drogas. “De janeiro para cá, apreendemos mais de 230 quilos de cocaína, que trouxeram muito prejuízo na cidade.” Ele lembrou que no primeiro trimestre do ano passado foram apreendidos 100 quilos e que a droga que vem da Colômbia e do Peru é a pasta base que, refinada, rende dez vezes mais que o peso original.

Segundo a Polícia Federal, o município de Tabatinga – a 1,1 mil quilômetros de distância em linha reta da capital (Manaus), ou 1,6 mil quilômetros por rio – funciona como um corredor de passagem para a droga, que segue para cidades maiores de barco ou avião, chegando a outras partes do país e do exterior. O transporte de pequenas quantidades da droga até Manaus chega a render até R$ 1 mil às pessoas conhecidas como “mulas”, que levam até dois quilos.


 


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