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16 de Março de 2008 - 15h15 -
Última modificação
em 17 de Março de 2008 - 20h10
Cinema do interior sofre com pirataria e "má vontade" de distribuidoras, diz gerente
Iolando Lourenço
Enviado especial
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Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Valparaiso (GO)- O gerente do cinema do município, Edson Alves, fala à Agência Brasil sobre as dificuldades para se manter um cinema funcionando numa cidade do interior
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Valparaíso (GO) - A extensão do
benefício fiscal da Lei Rouanet às doações
e patrocínios destinados à construção,
manutenção de salas de cinema e teatro em municípios
com menos de 100 mil habitantes não deverá ter uma
influência “significativa” no aumento do número de
salas de cinema e teatro no interior do Brasil.
A opinião é
do gerente de cinema do Valparaíso Shopping, Edson Silva. A cidade goiana de
Valparaíso fica a cerca de 50 quilômetros do Distrito
Federal e é a única opção para os
moradores de outras cidades pequenas do entorno do DF quando querem
ir ao cinema.
Mas, para Edson Silva, as cidades do interior que têm
salas de cinema, ainda que poucas, sofrem com o problema da pirataria
e com a má vontade das distribuidoras de filmes em repassar as
cópias para os cinemas menores.
"O grande problema
enfrentado pelos exibidores é a pirataria. Muitas vezes, são
vendidos DVDs piratas de filmes que nem chegaram ao Brasil para
exibição. Então, não adianta incentivo
para novas salas, primeiro tem que se combater a pirataria”,
defendeu.
O gerente de cinema informou também que os
exibidores de filmes enfrentam problemas com as distribuidoras, que
chegam a exigir uma garantia mínima de R$ 8 mil para repassar
uma cópia do filme para ser exibido.
Segundo ele, as distribuidoras ficam com 50% da
bilheteria. Como o que se arrecada em salas de cinema no interior não
chega a ser um valor expressivo, disse o gerente, as distribuidoras
não têm interesse em ceder filmes novos para exibição.
“Quando a cópia chega para exibição, a maioria
da população já comprou o DVD pirata ou assistiu
o filme em outra cidade maior”, observou.
No Valparaíso Shopping existem duas salas
de cinema, com capacidade para 220 pessoas em cada uma delas. Edson
Silva informou que a média mensal de presença é
de menos de 100 pessoas por dia nas duas salas, em quatro sessões
diárias. “Às vezes, fazemos sessões com duas
pessoas”, disse.
"A pirataria e as exigências, e a
discriminação dos distribuidores com os exibidores
acabaram com o cinema no interior. Muitas salas tradicionais estão
fechadas ou se transformaram em igrejas, lojas de móveis e
outros pontos comerciais”, relatou Edson Silva, que trabalha há
20 anos em salas de cinema no interior do Brasil.
A estudante Gabriela Correia, de 16 anos, moradora
da cidade, conta que o cinema é um dos seus programas
preferidos, mas ela sente falta de não ter muitas opções.
“Um dos programas preferidos pela juventude nos finais de semana é
ir ao cinema. Falta cinema, teatro e museus na nossa cidade”,
reclamou.
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