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Brasília - O trabalho conjunto de Equador e Colômbia no
controle da fronteira deverá ser uma das recomendações
da comissão da Organização dos Estados
Americanos (OEA), que investigou o ataque militar colombiano a
acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia (Farc), em solo equatoriano no dia 1º de março.
O relatório da apuração será apresentado
amanhã (17) ao Conselho de Chanceleres da OEA, em Washington.
“A coisa mais importante é a necessidade
dessa parceria e para que essa parceria tem que haver o
restabelecimento da confiança entre eles”, avalia o
embaixador do Brasil na OEA, Osmar Chohfi. Ele integrou a comissão
de investigação que esteve no Equador e na Colômbia
de 9 a 12 deste mês apurando as circunstâncias da
operação colombiana. “Se você tem uma
problemática que é comum, e a problemática lá
é comum, é preciso ter canais de diálogo”,
afirmou Chofi em entrevista exclusiva à Agência Brasil.
A missão - coordenada pelo secretário-geral
da OEA, José Miguel Insulza, e integrada por embaixadores do
Brasil, Peru, Argentina e Panamá - conversou com presidentes,
ministros e autoridades militares do Equador e da Colômbia e
ouviu a versão dos dois governos sobre os fatos de 1º de
março. Os diplomatas também visitaram a fronteira entre
os dois países e o acampamento atacado.
Na última quarta-feira (12), ao final da
missão, Insulza frisou a necessidade de se ampliar a
cooperação entre Equador e Colômbia. “Existem
elementos de cooperação, sem dúvida. Mas há
demanda de uma cooperação muito maior. É uma
realidade. E, para tanto, creio que nosso informe, mais que apontar
as dificuldades, vamos destacar as coisas que se pode fazer para que
estes fatos não sigam ocorrendo”, afirmou na ocasião
o secretário-geral da OEA, em entrevista coletiva concedida à
imprensa na chancelaria colombiana, em Bogotá
De acordo com o embaixador brasileiro, a comissão
foi “amplamente informada” pelos dois governos. Na fronteira, a
missão da OEA encontrou resquícios das instalações
guerrilheiras bombardeadas pelo exército colombiano. “É
um acampamento bastante precário, mas com áreas
específicas para cozinha, uma pequena represa onde tomavam
banho, uma área onde faziam reuniões, área para
comer e dormir. Têm inclusive pequenos geradores portáteis”,
relatou.
Chohfi contou que, do lado equatoriano da
fronteira, a missão constatou que a selva é fechada e
encontrou pequenos cultivos de agricultura familiar. Do lado
colombiano, no entanto, os embaixadores encontraram clareiras, áreas
de agricultura familiar e plantações de coca.
Tudo o que foi visto e apurado constará no
relatório que será apresentado amanhã aos
chanceleres. O documento também trará as normas de
direito internacional relacionadas ao incidente e recomendações.
“Sem ignorar o que ficou para trás, a gente tem que ser
construtivo agora”, ponderou o embaixador do Brasil na OEA.
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