



|
Valter Campanato/ABr
| |
Tabatinga (AM) - O chefe do Distrito Especial Indígena do Alto Rio Solimões, Plínio Souza Cruz, fala à EBC. Ele disse desconhecer o uso e o tráfico de cocaína em aldeias da região, relatados por outros entrevistados
|
Tabatinga (AM) - O chefe da Fundação
Nacional de Saúde (Funasa) do Alto Solimões, Plínio
Souza da Cruz, disse hoje (18) desconhecer o uso e o tráfico
de cocaína em aldeias na região de Tabatinga (AM), como
afirmou à Agência Brasil e à TV Brasil o
administrador regional da Fundação Nacional do Índio
(Funai), Davi Félix Cecílio.
Segundo Cruz, que
trabalha há 11 anos na Funasa de Tabatinga, o vício
mais comum nas aldeias é o da bebida alcoólica. Ele
afirma que jamais ouviu falar em consumo de cocaína.
"Até
o momento, oficialmente, nós não temos conhecimento
nenhum. Para mim causa até surpresa. No meu entendimento, não
existe isso. A gente sabe que aqui é um corredor de passagem
[da droga]. Mas não posso afirmar que nas aldeias todas há
consumo de drogas. Eu nunca vi, nem ouvi falar. Até mim não
chegou nenhuma informação dessa."
Entretanto, na
ante-sala do gabinete do chefe da Funasa, índios que esperavam
por uma audiência confirmaram o uso e a venda de cocaína nas aldeias, principalmente, entre os mais jovens.
"É um
problema para nós e para o nosso jovem. A gente não vê,
mas as pessoas dizem que estão envolvidas na comunidade.
Devido à falta de acesso ao emprego. Há muito alunos
que estão se formando no ensino médio e não tem
acesso ao trabalho. Aí o pessoal entra nesse problema de
cocaína", afirmou Esmeraldo Fernandes Basto, que atua
como conselheiro distrital da aldeia de Filadélfia, no
município de Benjamin Constant, a cerca de 40 quilômetros
de Tabatinga.
Odiléia Carneiro
Januária, também conselheira da aldeia de Filadélfia, confirmou o envolvimento de jovens com as drogas. "Uns
meses atrás, o negócio estava meio sério, mas
agora já está melhorando um pouco, porque nós
demos uma imprensada nos rapazes. Os índios que são
mais analfabetos estão querendo cair [nas drogas], mas a gente
está aí para lutar junto com eles para não cair,
para não ser mulas. A gente fala: vamos ser honestos,
trabalhar na nossa rocinha, plantar nossa banana. Por que se envolver
e colocar a família em risco?"
"Já vi
índio drogado de cocaína. Valente, deu no pai, até
que um dia eu meti paulada nele. É até um sobrinho meu,
mas agora já acalmou. Quem cheira o negócio fica
valente, brabo, quer brigar e até matar. O vício é
pior que o álcool. Porque quem entra, se não fizer
esforço, não sai", afirmou Odiléia.
|
|