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18 de Março de 2008 - 22h19 - Última modificação em 19 de Março de 2008 - 11h43


Funasa de Tabatinga diz desconhecer presença de drogas em aldeias, mas índios confirmam

Vladimir Platonow
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Valter Campanato/ABr
Tabatinga (AM) - O chefe do Distrito Especial Indígena do Alto Rio Solimões, Plínio Souza Cruz, fala à EBC. Ele disse desconhecer o uso e o tráfico de cocaína em aldeias da região, relatados por outros entrevistados
Tabatinga (AM) - O chefe do Distrito Especial Indígena do Alto Rio Solimões, Plínio Souza Cruz, fala à EBC. Ele disse desconhecer o uso e o tráfico de cocaína em aldeias da região, relatados por outros entrevistados
Tabatinga (AM) - O chefe da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) do Alto Solimões, Plínio Souza da Cruz, disse hoje (18) desconhecer o uso e o tráfico de cocaína em aldeias na região de Tabatinga (AM), como afirmou à Agência Brasil e à TV Brasil o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Davi Félix Cecílio.

Segundo Cruz, que trabalha há 11 anos na Funasa de Tabatinga, o vício mais comum nas aldeias é o da bebida alcoólica. Ele afirma que jamais ouviu falar em consumo de cocaína.

"Até o momento, oficialmente, nós não temos conhecimento nenhum. Para mim causa até surpresa. No meu entendimento, não existe isso. A gente sabe que aqui é um corredor de passagem [da droga]. Mas não posso afirmar que nas aldeias todas há consumo de drogas. Eu nunca vi, nem ouvi falar. Até mim não chegou nenhuma informação dessa."

Entretanto, na ante-sala do gabinete do chefe da Funasa, índios que esperavam por uma audiência confirmaram o uso e a venda de cocaína nas aldeias, principalmente, entre os mais jovens.

"É um problema para nós e para o nosso jovem. A gente não vê, mas as pessoas dizem que estão envolvidas na comunidade. Devido à falta de acesso ao emprego. Há muito alunos que estão se formando no ensino médio e não tem acesso ao trabalho. Aí o pessoal entra nesse problema de cocaína", afirmou Esmeraldo Fernandes Basto, que atua como conselheiro distrital da aldeia de Filadélfia, no município de Benjamin Constant, a cerca de 40 quilômetros de Tabatinga.

Odiléia Carneiro Januária, também conselheira da aldeia de Filadélfia, confirmou o envolvimento de jovens com as drogas. "Uns meses atrás, o negócio estava meio sério, mas agora já está melhorando um pouco, porque nós demos uma imprensada nos rapazes. Os índios que são mais analfabetos estão querendo cair [nas drogas], mas a gente está aí para lutar junto com eles para não cair, para não ser mulas. A gente fala: vamos ser honestos, trabalhar na nossa rocinha, plantar nossa banana. Por que se envolver e colocar a família em risco?"

"Já vi índio drogado de cocaína. Valente, deu no pai, até que um dia eu meti paulada nele. É até um sobrinho meu, mas agora já acalmou. Quem cheira o negócio fica valente, brabo, quer brigar e até matar. O vício é pior que o álcool. Porque quem entra, se não fizer esforço, não sai", afirmou Odiléia.


 


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