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Brasília - O crescimento do número
de suicídios entre os Tikuna, conforme relatos
de lideranças indígenas da região de Tabatinga,
envolve a vulnerabilidade social provocada pela ausência do
Estado e questões culturais de relacionamento com a sociedade
dos municípios vizinhos às aldeias.
Este foi o
diagnóstico de representantes da Fundação
Nacional do Índio (Funai) e da Coordenação das
Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira (Coiab) ouvidos pela Agência Brasil sobre
as causas das mortes.
O coordenador geral da
Coiab, Jecinaldo Barbosa Cabral, lembrou que falta de políticas
de desenvolvimento sustentável nas aldeias compromete a
perspectiva de vida dos jovens. Mas ressaltou o impacto cultural dos
índios ao frequentarem a cidade: “Eles sofrem discriminação
na escola, nas ruas e perdem a auto-estima”.
Cabral ressalvou a
necessidade das autoridades promoverem inicialmente um levantamento
qualitativo e quantitativo confiável sobre os casos de
suicídios indígenas. Há, segundo ele, imprecisão
nos números, mas trata-se de um questão de
“consequências gravíssimas”.
O diretor de
Assistência da Funai, Aloysio Guapindaia, reconhece a carência
de alternativas de renda enfrentada nas aldeias e defende uma
atuação em duas frentes para se combater adequadamente
os atentados do índios contra suas próprias vidas.
“Temos que atuar na preservação cultural, mas também
na sociedade envolvente, no sentido de que possa compreender e
aceitar melhor os índios. Ainda existe muito preconceito, que
decorre da falta de conhecimento”, afirmou.
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