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18 de Março de 2008 - 21h23 - Última modificação em 18 de Março de 2008 - 22h21


Funai aponta falta de estrutura para atender índios na região de Tabatinga

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

 
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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Brasília - Diretor presidente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, Agamenom Sérgio Lucas Dantas, e o diretor de assistência da Fundação Nacional do Índio (Funai), Aloysio Guapindaia, participam de audiencia para discutir o projeto que permite a exploração de recursos minerais em terras indígenas
Brasília - Diretor presidente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, Agamenom Sérgio Lucas Dantas, e o diretor de assistência da Fundação Nacional do Índio (Funai), Aloysio Guapindaia, participam de audiencia para discutir o projeto que permite a exploração de recursos minerais em terras indígenas
Brasília - A Fundação Nacional do Índio (Funai) não dispõe de estrutura adequada para proteger as comunidades indígenas da região de Tabatinga, no Amazonas, da entrada de drogas, do agravamento do alcoolismo e de problemas sociais como a prostituição. Foi o que afirmou hoje (18) o diretor de Assistência da Funai, Aloysio Guapindaia, após participar de um debate na Câmara dos Deputados sobre a exploração mineral em terras indígenas.

“A Funai infelizmente não tem estrutura para enfrentar a dimensão desse problema. Tem baixo orçamento, quantitativo de servidor insuficiente, formação técnica inadequada a esta nova problemática”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo Guapindaia, a descoberta de plantações de coca na região de Tabatinga e os relatos da existência de índios dependentes de drogas e trabalhando para o tráfico servem de alerta para que se reforce a presença do Estado: “Precisamos de um trabalho integrado entre as diversas esferas de governo para atacar um problema dessa ordem”.

As declarações do diretor da Funai coincidem com a crítica feita pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) à atuação governamental na área.

“O Estado é ausente. Não há políticas de proteção aos povos do Alto Rio Solimões, com programas de desenvolvimento sustentável na região. E a área é de alto risco pela presença do narcotráfico e da guerrilha na fronteira”, ressaltou o coordenador geral da Coiab, Jecinaldo Barbosa Cabral, também conhecido como Jecinaldo Sateré-Mawé.

Segundo Jecinaldo, é preciso que os governos levem às aldeias ações públicas de educação e saúde integradas à cultura dos indígenas, paralelamente ao trabalho de conscientização feito pelas organizações sociais. “Sem isso, os jovens acabam ficando vulneráveis ao narcotráfico”, argumentou.

A Funai disse já ter solicitado a atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao tráfico de drogas associado à indígenas na região de Tabatinga. "A PF tem feito de forma pontual e como o problema está se agravando, é necessário um trabalho mais profundo e integrado com a Funai", defendeu Aloysio Guapindaia.

O deputado federal Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), vice -presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, informou que bancada da Amazônia deverá promover audiências públicas para cobrar das autoridades atitudes para reforçar a presença do Estado na região de Tabatinga. "É uma área de fronteira, de difícil acesso, em que se evidencia a lacuna Poder Público na amazônia brasileira", ressaltou.

Segundo Rocha, devem ser convidados para audiências representantes das três esferas de governo para que se discutam a implementação de iniciativas integradas de combate ao crime e suporte aos povos indígenas.


 


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