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Brasília - As colaborações
do grupo de trabalho que estuda o documento preliminar da Convenção
Interamericana contra o Racismo e Toda Forma de Discriminação
devem estar prontas até junho, quando se realiza a próxima
assembléia geral da Organização dos Estados
Americanos (OEA). A informação foi dada pela presidente
do GT, Maria Cristina Pereira da Silva, em entrevista à
Agência Brasil. Ela lembrou que 21 de março é data em que se comemora o Dia Internacional contra a Discriminação
Racial.
O primeiro texto, transformado em anteprojeto, foi apresentado
pela presidência brasileira do GT na assembléia da OEA
em 2006, em Santo Domingo, na República Dominicana. No
entanto, Maria Cristina diz que a proposta do texto da convenção
vem sendo discutida desde 2000, quando a OEA realizou a Conferência
Regional de Santiago, no Chile. “O Brasil, desde então, tem
tido liderança nesse tema na OEA. É reconhecidamente o
país líder no assunto”, disse.
“O que a
convenção se propõe é avançar em
relação aos mecanismos que já existem no âmbito
internacional, e eu falo concretamente da Convenção
Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Racial, que já existe na
Organização das Nações Unidas [ONU]”,
explicou.
Maria Cristina contou que o texto atual,
apresentado no final do ano passado depois de um ano de negociações,
avançou bastante em relação ao de 2006. Ela
considera que esses avanços são reconhecidos pelas
delegações na OEA e são fruto da participação
da sociedade civil.
“É um processo no qual a
participação da sociedade civil tem sido fundamental,
eu diria inclusive que começou com toda as reivindicações
do movimento negro e movimentos anti-discriminatórios de
várias naturezas”, disse.
Entre as propostas da
convenção, está a criação de um
comitê para acompanhar a implementação das regras
definidas. Quanto às críticas de que um comitê
poderia tornar o processo mais burocrático, Maria Cristina
alegou que a implementação de regras não deve
ficar sob a responsabilidade dessa instância.
“A
intenção era criar um espaço para discussão
de melhores práticas, para que os estados membros pudessem
trocar as suas experiências. De qualquer maneira, a
implementação da convenção ficaria a
cargo dos órgãos do Sistema Interamericano de Direitos
Humanos, que são a Comissão e a Corte Interamericana,
isso fortaleceria muito a implementação em relação
a outros mecanismos existentes”, afirmou.
Em relação
a possíveis entraves à aprovação do
texto, Maria Cristina lembrou que alguns países já
avançaram muito em outros mecanismos legais para resolver o
problema da discriminação e é normal que não
considerem mais necessário criar outros mecanismos
internacionais, além da convenção da
ONU.
“Ninguém pode negar que os Estados Unidos e o
Canadá têm uma evolução em relação
à sua própria legislação muito
significativa. Basicamente esses países se concentraram nessa
elaboração de políticas governamentais e
consideram que o que há como instrumento jurídico
internacional é suficiente para tratar do assunto”,
concluiu.
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