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Antonio Cruz/ABr
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Brasília - Representantes de vários estados participam do lançamento do programa Organização Produtiva de Mulheres Rurais
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Brasília - Autonomia,
reconhecimento e fim da invisibilidade são as
principais cobranças de mulheres trabalhadoras rurais como
Elenita Almeida de Sousa, representante da Organização
Não-Governamental (ONG) Coletivo de Mulheres Trabalhadoras
Rurais, do estado do Maranhão.
Hoje (19), durante o lançamento do
Programa de Organização Produtiva das Mulheres Rurais, ela afirmou que a situação das mulheres no
campo já foi pior, mas ainda precisa melhorar.
“Antes
a gente não tinha uma fonte de renda. Hoje, as mulheres têm
a renda delas com o artesanato, com a agricultura familiar e com
criação de galinha. A partir do momento que a mulher
tem a sua renda, ela se sente mais livre. Tem a produção
dela e o dinheirinho dela. Já não depende tanto do
marido.
A ONG de
Elenita Sousa atua em 45 municípios maranhenses e ajuda cerca de
450 mulheres com uma renda mensal de R$ 500. Ela destaca que o
principal obstáculo para as trabalhadoras rurais ainda é
o preconceito, além da dificuldade em acessar os grandes
mercados para a venda de produtos.
“Para
os homens, a mulher não pode trabalhar na agricultura, só
em casa, cuidando dos filhos. A gente espera que as mulheres se
libertem mais, principalmente nessa questão de gênero.
Precisa de mais apoio, tanto no investimento como no escoamento.
Muitas vezes a gente planta mas não tem onde vender.”
O
Programa de Organização Produtiva das Mulheres Rurais é
uma parceria do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS), do
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM). O
objetivo é viabilizar o acesso das mulheres do campo às
políticas públicas de apoio à produção
e à comercialização, com a valorização dos princípios da economia solidária.
Durante o
evento, os ministros Patrus Ananias (MDS), Nilcéa Freire (SPM)
e Guilherme Cassel (MDA) assinaram uma portaria para
fortalecer as organizações produtivas de trabalhadoras
rurais com a troca de informações técnicas e
operacionais.
Dentre as
ações previstas está incluir as trabalhadoras
rurais como público preferencial nos projetos, além de
estimular e orientar ações estaduais e municipais de
capacitação das mulheres.
Para Patrus, a
iniciativa visa a trabalhar a “dignidade” da mulher do campo. “São
ações integradas que visam, cada vez mais, afirmar os
direitos da mulher”, destacou.
As medidas serão implantadas, sobretudo, nas áreas
levantadas pelo Programa Territórios da Cidadania, do governo
federal. A previsão é que 60
localidades recebam as ações até 2010. Para 2008, cerca de R$
19,5 milhões serão gastos com 60 grupos de
trabalhadoras rurais identificadas e mapeadas.
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