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19 de Março de 2008 - 13h27 - Última modificação em 19 de Março de 2008 - 13h34


Trabalhadoras rurais pedem autonomia, reconhecimento e visibilidade

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

 
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Antonio Cruz/ABr
Brasília - Representantes de vários estados participam do lançamento  do programa Organização Produtiva de Mulheres Rurais
Brasília - Representantes de vários estados participam do lançamento do programa Organização Produtiva de Mulheres Rurais
Brasília - Autonomia, reconhecimento e fim da invisibilidade são as principais cobranças de mulheres trabalhadoras rurais como Elenita Almeida de Sousa, representante da Organização Não-Governamental (ONG) Coletivo de Mulheres Trabalhadoras Rurais, do estado do Maranhão.

Hoje (19), durante o lançamento do Programa de Organização Produtiva das Mulheres Rurais, ela afirmou que a situação das mulheres no campo já foi pior, mas ainda precisa melhorar.

“Antes a gente não tinha uma fonte de renda. Hoje, as mulheres têm a renda delas com o artesanato, com a agricultura familiar e com criação de galinha. A partir do momento que a mulher tem a sua renda, ela se sente mais livre. Tem a produção dela e o dinheirinho dela. Já não depende tanto do marido.

A ONG de Elenita Sousa atua em 45 municípios maranhenses e ajuda cerca de 450 mulheres com uma renda mensal de R$ 500. Ela destaca que o principal obstáculo para as trabalhadoras rurais ainda é o preconceito, além da dificuldade em acessar os grandes mercados para a venda de produtos.

“Para os homens, a mulher não pode trabalhar na agricultura, só em casa, cuidando dos filhos. A gente espera que as mulheres se libertem mais, principalmente nessa questão de gênero. Precisa de mais apoio, tanto no investimento como no escoamento. Muitas vezes a gente planta mas não tem onde vender.”

O Programa de Organização Produtiva das Mulheres Rurais é uma parceria do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM). O objetivo é viabilizar o acesso das mulheres do campo às políticas públicas de apoio à produção e à comercialização, com a valorização dos princípios da economia solidária.

Durante o evento, os ministros Patrus Ananias (MDS), Nilcéa Freire (SPM) e Guilherme Cassel (MDA) assinaram uma portaria para fortalecer as organizações produtivas de trabalhadoras rurais com a troca de informações técnicas e operacionais.

Dentre as ações previstas está incluir as trabalhadoras rurais como público preferencial nos projetos, além de estimular e orientar ações estaduais e municipais de capacitação das mulheres.

Para Patrus, a iniciativa visa a trabalhar a “dignidade” da mulher do campo. “São ações integradas que visam, cada vez mais, afirmar os direitos da mulher”, destacou.

As medidas serão implantadas, sobretudo, nas áreas levantadas pelo Programa Territórios da Cidadania, do governo federal. A previsão é que 60 localidades recebam as ações até 2010. Para 2008, cerca de R$ 19,5 milhões serão gastos com 60 grupos de trabalhadoras rurais identificadas e mapeadas.

 


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