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Brasília - A diretora do
escritório brasileiro do Centro pela Justiça e Direito
Internacional (Cejil), Beatriz Affonso, criticou a criação
de um comitê para acompanhar a implementação da
Convenção Interamericana contra o Racismo e Toda Forma
de Discriminação e Intolerância, que está
sendo elaborado na Organização dos Estados Americanos
(OEA). Para ela, o comitê, como está previsto no texto
atual, pode trazer mais burocracia para o processo de implementação
da convenção.
“Ele [o comitê]
pode ser um instrumento maravilhoso, mas da forma como está
desenhado ele pode ser uma burocracia impeditiva para que a convenção
funcione na prática”, afirmou, em entrevista à
Agência Brasil. Beatriz Affonso argumentou que seria necessária
a criação de toda uma estrutura para o comitê,
com orçamento próprio e pessoal treinado. “O problema
é que a implementação da convenção
fica travada até que toda essa estrutura seja formada”,
disse.
Além disso, a diretora afirmou que não
há, no projeto da convenção, definições
sobre a composição do comitê e quais as
qualificações de seus membros. “Ele [o texto da
convenção] não diz especificamente quais
seriam as características que garantiriam idoneidade,
autoridade moral, expertise, diversidade no sistema jurídico,
a diversidade étnica desse representante, se vai existir um
balanço de gênero”.
O Cejil tem, ainda, outras
críticas ao atual texto do projeto. Beatriz Affonso considera
que o texto poderia ser moderno, inspirado no que já foi feito
em outras convenções, como a de Belém do Pará,
sobre os direitos das mulheres.
Outra crítica é
quanto à definição de alguns conceitos. “Essa
convenção está atendendo a um número
grande de violações que são diferentes entre si
e, às vezes, um conceito que cai muito bem para um tipo de
discriminação é muito mal especificado para
outro”, afirmou Beatriz. Alguns conceitos que constam da carta,
considerados diferentes para o Cejil, são os de racismo e
discriminação racial.
Apesar das críticas,
Beatriz disse que a convenção é uma iniciativa
muito importante para combater as mais variadas formas de
discriminação, seja racial, étnica, de gênero.
Ela sugeriu que a sociedade civil seja ouvida, tanto para a definição
dos conceitos, quanto para a criação de um mecanismo de
monitoramento.
“Nós entendemos que, para que tudo
isso possa ser detalhado – e tem muita coisa para ser detalhada –,
que de fato se garanta uma ampla consulta à sociedade civil,
aos acadêmicos que estudam esses diversos grupos que
infelizmente sofrem esse tipo de violação”, afirmou.
Hoje (21), comemora-se o Dia Internacional contra a Discriminação
Racial.
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