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Rio de Janeiro - O secretário de
Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, disse hoje (20) que o
estado vive uma epidemia de dengue, ao considerar "oportuna"
a criação do gabinete de crise anunciada ontem (19)
pelo Ministério da Saúde.
"Estamos em um
momento de epidemia de dengue. Temos que trabalhar nas ações
de controle e de assistência, e é o que temos feito. Já
trabalhamos diariamente com os secretários [de Atenção
à Saúde, José Noronha, e de Vigilância
Sanitária, Gerson Penna, que vão atuar junto com o
governo fluminense no
gabinete], mas agora vamos ter a presença física
deles. Isso vai ser importante para agilizar alguns processos,
algumas autorizações, que até então
precisavam ser enviadas para Brasília e agora vão poder
ser resolvidas daqui mesmo", disse. Segundo a nota
divulgada ontem (19) pelo Ministério da Saúde, a
primeira tarefa do gabinete é levantar as necessidades de
pessoal para trabalhar em caráter de emergência e
definir as exigências na atenção
à saúde da população de risco.
Segundo Côrtes, uma
reunião que estava marcada para a próxima segunda-feira
(24), com a participação dos secretários de
Saúde do estado e dos municípios da Baixada Fluminense,
poderá ser antecipada para amanhã (21).
O secretário
disse que é suficiente a atuação de 1.200 homens
do Corpo de Bombeiros que estão trabalhando no combate às
larvas da dengue, principalmente no bairro de Jacarepaguá, na
zona oeste, que concentra o maior número de casos da doença.
Côrtes
informou que a secretaria deve criar nos próximos dias uma
central de atendimento telefônico, pelo 0800, para receber
denúncias da população sobre locais com focos do
aedes aegypti, que serão checadas e combatidas pelos
bombeiros.
O secretário disse que só na próxima quarta-feira
(26) as Forças Armadas devem se posicionar sobre a
possibilidade de ceder leitos de suas unidades de saúde ao
atendimento de pacientes com dengue. Até agora, segundo ele,
não houve nenhum entendimento sobre o assunto.
Ainda de acordo com o
secretário, serão criadas na próxima semana, três
centrais de hidratação com capacidade de atender até
mil pessoas por dia.
"Os pacientes
recebem a hidratação, quando for o caso, em uma
poltrona instalada sob uma estrutura própria para esse tipo de
atendimento. Isso vai acelerar o atendimento e ajudar a evitar as
complicações ou reduzir a incidência delas",
destacou.
Hoje, a Secretaria de
Saúde abriu mais dez leitos de tratamento intensivo no setor
de pediatria do Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na zona oeste, e
prometeu abrir mais 80 no setor de enfermaria de outras unidades na
próxima semana. Ao todo, o estado oferece, agora, 205 leitos
para o atendimento a pacientes com dengue.
O secretário de
saúde do Rio também considerou exagerada a estimativa
de que o número de casos de dengue no estado seja 30 vezes
maior do que o anunciado pelos órgãos de saúde,
conforme alerta divulgado ontem (19) pelo infectologista da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmilson Migovski.
"Esse número
não tem base científica. Se fosse assim, uma em cada
três pessoas estaria infectada e não é essa a
realidade", afirmou.
Ele defendeu, ainda, um
trabalho rotineiro de combate à dengue durante todo o ano e
disse que essa será a meta de trabalho para este ano, a fim de
evitar nova epidemia no próximo verão.
"Estamos fazendo
todos os esforços para enfrentar esse grave problema da dengue
e isso não pode se resumir a uma campanha de combate, só
agora. Estamos fazendo isso, o trabalho dos bombeiros não vai
parar, vai continuar o ano todo. Além disso, estamos estudando
outras estratégias com o Ministério da Saúde
para dar continuidade ao trabalho", disse sem dar detalhes sobre
as estratégias.
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