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Brasília - Em novembro de 2006, a
Organização dos Estados Americanos (OEA) criticou o
governo brasileiro por permitir que uma ação de racismo
que tramitava na Justiça fosse arquivada, violando, assim, a
Convenção Americana de Direitos Humanos e a Convenção
Racial. Pouco mais de um ano depois, a diretora do escritório
brasileiro do Centro pela Justiça e Direito Internacional
(Cejil), Beatriz Affonso, afirma que o Estado brasileiro demonstra
não fazer nada para combater o racismo institucionalizado.
A
diretora relembrou o caso arquivado: a empregada doméstica
Simone Andréa Diniz procurava emprego e, no anúncio
para vaga de babá, havia a especificação que a candidata
deveria ser preferencialmente branca. Ainda assim, Simone tentou
concorrer à vaga, mas foi descartada por ser negra. O fato
ocorreu em 1997.
O caso de racismo
contra Simone foi julgado pela OEA que, na época, fez
recomendações ao Brasil no sentido de que haja
políticas para evitar que a situação se repita,
como uma campanha para combater o racismo institucional e também
nos meios de comunicação, para que eles não
publiquem anúncios racistas.
“São
recomendações para que a gente mude toda uma estrutura,
para que a gente comece a mudar um olhar”, afirmou Beatriz Affonso,
em entrevista à Agência Brasil. Ela disse que se o Estado brasileiro sequer começou a discutir, como é que
vai implementar essas medidas?
Segundo a diretor do Cejil, ao
buscar a Justiça, Simone continuou sendo discriminada e o seu
caso foi arquivado. Ao analisar a questão, a OEA fez as
seguintes recomendações ao Brasil: pagamento de
indenização, responsabilização das
pessoas envolvidas, não só da acusada inicial de
racismo (contra quem a ação criminal foi arquivada),
mas de todos os atores da Justiça que também a
discriminaram, arquivando o caso por não entenderem
discriminação como crime.
Beatriz Affonso disse
que o relatório da OEA foi “bastante forte”, por afirmar
que existe racismo institucional no Brasil. “Quer dizer que muitos
juízes, promotores, de forma individual, trazem para o seu
trabalho os seus preconceitos de ordem racial, e que essa situação
faz parte da cultura brasileira de uma forma endêmica”,
afirmou.
“Não existe uma diretriz
política-institucional do Poder Judiciário ou do
Ministério Público para que os seus funcionários
sejam racistas. No entanto, eles têm liberdade, na sua atuação
cotidiana, de trazer os seus preconceitos, e isso acontece tantas
vezes e em tantos casos, que existe aí um racismo
institucional”, completou a diretora. Além do caso de
Simone, o Brasil tem outra denúncia de racismo em análise
pela OEA.
O secretário-adjunto da Secretaria Especial
de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
(Seppir), Elói Ferreira, afirmou que a pasta está
acompanhando o caso na OEA, por meio de sua assessoria
internacional. Sobre a aplicação de medidas de combate
ao racismo institucional, Ferreira não citou nenhuma
iniciativa.
“Essa intolerância que você vai
encontrar ainda em alguns órgãos vai sendo
combatida, ela vai minando devagarzinho, vai ser
encerrada com certeza com a ação de toda a sociedade,
porque não é uma luta somente da secretaria ou dos
combatentes contra o racismo, mas de toda a sociedade”, afirmou.
A secretaria completa
cinco anos de existência hoje (21), dia em que também se
celebra o Dia Internacional contra a Discriminação
Racial.
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