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São Paulo e Brasília - Um projeto de lei promete trazer mudanças para a alimentação nas escolas públicas do Brasil, definindo a merenda escolar como um direito e estendo-a também para os estudantes do Ensino Médio. Elaborado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e pelo Ministério da Educação, o Projeto de Lei 2.877, de 2008, propõe mudanças no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e será apreciado por
uma comissão especial do Congresso, já definida.
A expectativa do Consea é de que a comissão dê o parecer sobre o projeto de lei em cerca de
três meses. A proposta prevê mudanças desde o cardápio até o estabelecimento de cerca de um terço dos recursos, destinados à alimentação escolar, para a compra de alimentos de pequenos fornecedores da própria região onde a escola está inserida.
“Todos os estudantes do ensino público no Brasil têm direito a uma alimentação adequada e com um cardápio que reflita a diversidade cultural do país”, afirma Renato Maluf, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e presidente do Consea. egundo ele, o projeto de lei pretende fazer da alimentação escolar “um programa de estímulo ao desenvolvimento local e à produção diferenciada de alimentos mais saudáveis”.
Atualmente, a União repassa R$ 0,22 por aluno de creches e estudantes do ensino fundamental e da pré-escola para as secretarias de Educação dos estados e dos municípios. Para estudantes de escolas indígenas e de comunidades quilombolas, o valor per capita é de R$ 0,44.
Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o repasse é feito diretamente aos estados e municípios, com base no censo escolar realizado no ano anterior. Para este ano, por exemplo, o orçamento do Pnae prevê o repasse de R$ 1,6 bilhão para o atendimento de 36 milhões de alunos. Os estados e municípios têm autonomia para administrar o dinheiro e fornecer a complementação financeira para a melhoria do cardápio escolar.
De acordo com Maluf, há pelo menos dois problemas ocorrendo no programa atual de alimentação escolar. “Primeiro é a disponibilidade de recursos. Não são todos os estados e as prefeituras que aportam recursos próprios - dependem de recursos federais. Em segundo lugar, a merenda escolar sempre esteve sob muita influência do oferecimento de produtos preparados e industrializados, que são de mais fácil preparação e que não exige muito trabalho nas escolas.”
Preocupados com a
agilidade na aprovação do projeto que amplia o acesso à merenda escolar, entidades civis
organizadas promoveram na semana passada, em São Paulo, um seminário
para discutir as estratégias de mobilização da
sociedade civil para pressionar o Congresso Nacional a votar o PL
2.877.
De acordo com a
secretária-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança
Alimentar e Nutricional (FBSAN), Vanessa Schottz, a aprovação
e regulamentação do projeto são "fundamentais"do
ponto de vista da garantia da alimentação escolar com
saúde. Segundo Vanessa, a
proposta assegura que a alimentação escolar é um
direito de todo estudante. "O projeto atrela a alimentação
escolar com a questão pedagógica e com a alimentação
saudável."
O projeto, de acordo
com Vanessa Schottz, amplia também a área de
atendimento da merenda escolar para os alunos do ensino médio
e para a educação de jovens e adultos (EJA). "O
que se pensa é uma alimentação de qualidade como
um direito no momento em que se está na escola aliada à saúde
do estudante."
Outra inovação
da proposta observada pela secretária-executiva do fórum se
refere ao aspecto da "não punição dos
estudantes" com o corte da merenda escolar por desmando da
administração municipal no trato do dinheiro público
como desvio de recursos, ou ilegalidade da administração.
Vanessa Schottz disse
à Agência Brasil que a alimentação escolar
tem que ser pensada como promotora de saúde e do
desenvolvimento sustentável da região, com maior
geração de renda para os produtores locais e com o
fornecimento de alimentação adequada e saudável.
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