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21 de Março de 2008 - 16h23 -
Última modificação
em 21 de Março de 2008 - 22h22
Encenação da Paixão de Cristo no Distrito Federal deve reunir 150 mil pessoas
Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil
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Roosewelt Pinheiro/ABr
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Planaltina (DF) - Aposentada Maria Gonçalves Silva fala à Agência Brasil sobre o espetáculo da Paixão de Cristo, no morro da Capelinha. A festa é uma das tradicionais do Centro-Oeste
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Brasília - Um dos maiores espetáculos de representação da Paixão de Cristo do país será realizado hoje (21) em Planaltina
(DF) pela 36ª vez. A homenagem é organizada pelo grupo
Via Sacra, formado por 1,4 mil moradores da cidade, que tiveram uma
vitória nesta semana. Na terça-feira (18), o espetáculo
foi reconhecido pelo governo local como Patrimônio Imaterial do Distrito Federal.
Aos 33 anos, Saulo
Humberto Soares vai representar Jesus Cristo pelo sexto ano consecutivo. “A participação
do público é fundamental para a beleza da Via Sacra e a
cada ano temos mais gente participando, tanto é que, neste
ano, esperamos a presença de mais de 150 mil pessoas”, conta o artista, que no restante do ano trabalha como
professor.
Embora a festa mais
famosa do país seja a de Nova Jerusalém, no interior de
Pernambuco, os organizadores da encenação do Morro da Capelinha defendem que a festa em Planaltina tem maior
participação popular.
Enquanto em Nova Jerusalém
o público recorde teria sido registrado em 2007, com 72 mil pessoas
somando os oito dias de espetáculo, em Planaltina, num único
dia de apresentação, mais de 100 mil pessoas tem
comparecido nos últimos anos.
Maria Gonçalves
da Silva tem 78 anos e, apesar de visitar o local por muito tempo,
não participou nos últimos quatro anos por
problemas de saúde. “Acho muito lindo. Se não fossem
os problemas de saúde, eu viria todos os anos. Mas é uma penitência que Jesus
dá força pra gente e a gente dá conta de
chegar”, afirma Maria, depois de enfrentar a subida íngreme até
o topo do morro.
“Remodelaram muitas coisas, melhorou
muito. Tem assistência médica, água, mais
banheiros”, diz Maria Jordana Vieira, agente
penitenciária de 41 anos, que trouxe as filhas e chegou às
8h, vindo do Gama, cidade onde mora, localizada a quase 80 quilômetros do
Morro da Capelinha. “Não há nenhum sacrifício
de estar aqui nesta sexta-feira santa. É um dia para nos
abraçarmos e agradecermos o que Jesus fez por nós.”
Deise Rocha, de 20
anos, chegou da cidade goiana de Águas Lindas à 9h,
com alguns amigos, e garantiu que ficará até o final do
espetáculo. “Vamos agradecer a Jesus e pedir também
por nossos amigos que não estão aqui”, conta. O início do
espetáculo está marcado para às 16h e deve se
estender até depois do anoitecer.
Planaltina, onde ocorre a encenação, é uma das cidades mais antigas do Distrito Federal. Fundada há cerca de 150 anos, ela era considera um ponto estratégico para o escoamento do ouro.
Foi uma das bases Comissão Cruls, que realizou os primeiros estudos
para a implantação da futura capital. Com a criação de Brasília, a cidade acabou dividida em duas partes. Uma delas ficou dentro da região administrativa do DF e, a outra, permaneceu em Goiás.
As duas "planaltinas" são hoje um centro de resistência da cultura popular, mas enfrentam problemas como falta de segurança pública e infra-estrutura precária. Por conta dos índices de violência, Planaltina de Goiás, foi incluída na linha de atuação da Força Nacional de Segurança no Entorno do DF.
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