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23 de Março de 2008 - 18h34 - Última modificação em 23 de Março de 2008 - 18h34


Agricultores e industriais cobram investimento em transporte fluvial na Amazônia

Gilberto Costa
Repórter da Rádio Nacional da Amazônia

 
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Brasília - Portos e hidrovias da Amazônia precisam de investimentos para atender de maneira sustentável a demanda da indústria e de produtores agrícolas e minerais. É o que defendem representantes do setor empresarial. De acordo com especialistas em infra-estrutura, cada real investido em transporte de carga fluvial economiza R$ 6 a R$ 7 em gastos para deslocar o mesmo volume pelas estradas.

A Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que os grandes produtores perderam mais de R$ 5 bilhões no ano passado tendo que levar suas mercadorias pelas rodovias para distribuição em portos ao sul e sudeste do Brasil.

Na opinião do consultor para logística e infra-estrutura de transporte da CNA, Luiz Antônio Fayet, o Brasil precisa melhorar sua capacidade dos portos e hidrovias da Amazônia para dar conta das exportações do setor de agro-negócio.

“Nós temos que preparar os rios e os portos que pertencem à Bacia Amazônica para esse volume de carga. É de lá que vão sair 70 milhões de toneladas”, opina Fayet.

“A geografia da produção no Brasil mudou: o Sul e sSdeste ficaram com a produção de industrializados e o abastecimento do mercado internacional de soja em grão, de milho em grão será fatalmente feito pelas regiões do Norte e do Centro-Oeste.”

O aumento da capacidade do transporte fluvial exige a modernização de portos, como aponta o pesquisador Carlos Alvares da Silva Campos Neto, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). “É necessário a modernização de equipamentos que transportam containeres e aumentam a capacidade de carga e descarga nos navios.”

O consultor ambiental Eduardo Martins alerta, no entanto, que além de aumento de capacidade dos portos da Amazônia Legal, é preciso torná-los mais sustentáveis e seguros. Estudos mostram que cerca de 70% dos rios do país estão contaminados, por exemplo.

“A maioria dos portos da Amazônia são portos precários, são portos que não estão organizados, são deficientes. São portos que têm lixo, têm ocupação indevida, não têm plano de contingência para responder a possibilidade de acidente. A maioria desses portos não tem fiscalização adequada do transporte de passageiros.”

Assim como o agronegócio, o setor de mineração recente de melhor infra-estrutura para a circulação de minério de ferro e bauxita na Amazônia. O funcionamento de eclusas no Rio Tucuruí, por exemplo, permitiria barcos subirem e descerem o rio no ponto da barragem.

“Se tivesse uma eclusa em Tucuruí poderia atender uma parte da necessidade de transporte fluvial de minério”, avalia o diretor de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração, Marcelo Ribeiro Tunes. Para ele, a navegação de minérios na região ainda é muito incipiente.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já emprestou mais de R$ 45 milhões desde 2006 para a melhoria do transporte fluvial na Amazônia e prevê mais R$ 170 milhões, que estão sendo analisados para aprovação este ano.

Após uma semana de apuração, a Casa Civil da Presidência da República e o Ministério do Desenvolvimento não retornaram os pedidos da reportagem sobre projetos e investimentos para a navegação fluvial na Amazônia. À época do lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento foram previstos investir cerca de R$ 6 bilhões para o transporte na Região Norte.



 


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