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Brasília - Com base no argumento de que o acesso à
água é um direito fundamental, ativistas da Organização Não Governamental (ONG)
Defesa da Vida estão colhendo assinaturas para garantir o abastecimento
gratuito de pelo menos 45 litros de água tratada por dia por habitante. “É o mínimo necessário para o ser humano
sobreviver, tenha ele condições [financeiras] ou não, já que água é
fonte essencial à vida”, defende Leonardo Morelli, secretário-geral da
Defensoria da Água, comitê criado pela ONG em 2004.
Na avaliação de Morelli, as empresas de abastecimento e saneamento estão
assumindo posturas de mercado na gestão dos recursos hídricos. “É cada vez mais
privatista. Não pagou a conta, corta [o abastecimento]”.
Baseada em
cerca de 500 mil notificações recebidas de consumidores, a ONG produziu o
relatório O Estado Real das Águas no Brasil, divulgado na última semana.
De acordo com o documento, mais de 43% das reclamações referiam-se a tarifas e
dificuldades em pagar as contas de água. A segunda maior causa de notificações foram denúncias e relatos de
contaminação das águas. Entre 2004 e 2008, a poluição de rios, lagos e lagoas
cresceu 280%, de acordo com o relatório.
Os dados, segundo Morelli, apontam para
três causas principais para o avanço da contaminação: as atividades do
agronegócio e da indústria, “porque utilizam produtos tóxicos e acabam jogando
os resíduos nas águas, sem metodologia ou tecnologia de tratamento.
O relatório lista as dez empresas mais
poluidoras das águas no Brasil, de acordo com prejuízos provocados aos recursos
hídricos por ações ou omissões em relação a vazamentos ou depósitos irregulares
de resíduos. Na lista estão a Petrobras, a Shell, a Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN), a Gerdau, a Votorantim, a Brasken, a Fundição Tupy, a Cargill, a Aracruz a Celulose e a
Vale.
Procuradas pela reportagem, a maior parte das
companhias não respondeu as denúncias por afirmar desconhecimento do relatório.
A CSN, apontada como responsável pelo armazenamento de substâncias
consideradas cancerígenas, respondeu que o resíduo em questão, a escória, é
classificado como “não-perigoso” pelas regras de certificação brasileiras. A
empresa afirmou ainda que divulga anualmente seu passivo ambiental e que atua
sob registro de autoridades públicas ambientais.
Apesar de considerar “preocupante” a situação das águas no
Brasil, o secretário-geral da
Defensoria da Água aposta em medidas “positivas” para reverter o atual quadro,
entre elas a gestão integrada dos recursos hídricos, a proteção de reservas
consideras estratégicas para o país, como o Aqüífero Guarani, mais controle
sobre as atividades industriais e do agronegócio e investimentos em ciência e
tecnologia para fomentar pesquisas sobre o tema.
“Além disso, temos
condições de levar à OEA [Organização dos Estados Americanos] a proposta
de uma organização latino-americana de defesa da água e da biodiversidade. Há
uma demanda internacional muito forte e tem que haver um contraponto à política
da OMC [Organização Mundial do Comércio], que tende à mercantilização desse
recurso natural”.
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