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Brasília - Na quarta e última
parte da entrevista exclusiva à Agência Brasil, o
diplomata Édson Monteiro, que no próximo dia 25 assume
a Embaixada do Brasil no Timor Leste, fala sobre um dos principais
desafios do único país asiático que tem o
português como língua oficial: o desemprego.
ABr - O
desemprego é um problema grave entre os jovens timorenses. O
que pode ser feito?
Monteiro - 40%
dos jovens entre 18 e 25 anos estão desempregados. Muitos
estão pelas cidades sem ter o que fazer, vítimas fáceis
de campanhas, e aí começam as brigas que resultam em
mais destruição, colocam fogo em casas e prédios
públicos. É preciso que o país comece a gerar
oportunidades de emprego para esta gente. Eles têm recursos, o
petróleo já está gerando recursos que estão
sendo investidos em um fundo enquanto o país não têm
condições econômicas, sociais e até
administrativas de usá-los. Eles sabem que não são
capazes, ainda, de gerenciar um grande programa de desenvolvimento.
ABr - O Brasil
pode ajudar?
Monteiro -
Experiências como as que o Ministério do Desenvolvimento
Agrário faz no Brasil, de criação de
cooperativas, de melhoria de qualidade de sementes, de ajuda na
comercialização... tudo isso pode ser feito lá
como cooperação técnica ou como trabalho de
governo. Pequenas indústrias poderiam fazer o aproveitamento
destes produtos agrícolas que eles têm, quem sabe com a
ajuda do Sebrae [Serviço de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas], por exemplo. O Senai [Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial] já está lá
mas também é preciso criar capacidade empresarial. O
Banco Mundial e o Bando da Ásia já propuseram uma série
de atividades emergenciais para criar emprego, como as frentes de
trabalho. Não precisamos inventar a pólvora.
ABr
- Como seriam estas frentes?
Monteiro - Há
todo um trabalho de reconstrução do país, de
reconstrução de estradas, de limpeza, que pode ser
feito com dois, três meses de trabalho intenso. O que se pagar
a um jovem ou chefe de família nestes três meses pode
ser suficiente parta mantê-lo o ano inteiro. Com pequenos
projetos deste tipo pode-se criar condições de
sobrevivência para uma grande quantidade de pessoas. E o
governo tem recursos. Seria a forma mais rápida de gerar
emprego enquanto não se criam as condições para
investimentos, para criação de empresas... as coisas
que serão uma solução permanente. Mas isto ainda
está sendo pensado.
ABr - O
investimento estrangeiro é necessário?
Monteiro - Há
porto, eletricidade, matéria-prima e pessoas. Por que não
investimento estrangeiro, aproveitando-se que há uma
infra-estrutura sendo criada? Os australianos, os chineses, os
indonésios, os malásios, os japoneses poderiam fazer.
ABr - Não
há empresas brasileiras no Timor. Por que? Não vale o
investimento?
Monteiro -
Precisamos levar empresas brasileiras para lá. É um
país distante que ainda tem uma atividade econômica
muito pequena. A maior parte das pessoas vive do que produzem, 80%
ainda dependem da agricultura de subsistência, portanto não
há renda., não há um mercado. Quem vai lá?
As empresas vizinhas da Indonésia, da China, da Malásia,
da Austrália. Eles têm custos menores, fazem
investimentos menores e podem ser lucrativos. Para as empresas
brasileiras será sempre uma empreitada muito mais onerosa.
Acho que é possível, mas é uma outra área
que até agora não foi trabalhada. A essência do
que fazemos lá é cooperação.
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