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Brasília - Diariamente nas capitais brasileiras o desperdício de água potável equivale a 2.500 piscinas olímpicas (em média 2,5 milhões de litros de água). E a culpa neste caso,
não é do consumidor. A perda de cerca de seis bilhões de litros – o suficiente
para abastecer 38 milhões de pessoas – acontece entre a retirada dos mananciais
e a chegada às torneiras.
Os números fazem parte de um relatório do Instituto
Socioambiental (ISA), que traça um panorama do alcance de sistemas de
saneamento básico e do volume de desperdício de águas no país. De acordo uma
das coordenadoras do ISA Marussia Whately, as perdas são causadas por
vazamento nas redes de abastecimento, sub-medição nos hidrômetros e fraudes.
“A maioria das capitais – 15 das 27 – perdem mais da
metade da água produzida”, de acordo com o relatório. Porto Velho, capital de
Rondônia, é a campeã em desperdício, com 78,8% de perda. As cidades de Rio Branco, de Manaus e
de Belém também têm índices superiores a 70%. O desperdício nessas capitais seria
suficiente para abastecer quase cinco milhões de habitantes.
De acordo com a superintendente de Produção de Água da
Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Tânia Baylão, a
redução de desperdício passa por garantia de investimentos nas redes e
atendimento rápido de notificações de vazamentos.
“Combater a perda tem que ser uma diretriz básica, temos
inclusive uma linha de financiamento prioritária para isso”. O Distrito Federal
é a unidade da federação com o menor registro de perda na distribuição, com
27,3%.
Além da perda na distribuição, o
relatório também apresenta um mapa do consumo doméstico de água e mostra que a
média nacional, de 150 litros per capita, está 40 litros acima do
recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em cidades como São Paulo,
Rio de Janeiro e Vitória, o consumo ultrapassa 220 litros por dia.
“Infelizmente, o brasileiro acha
que como temos bastante água no Brasil, não é preciso economizar. Pelo
contrário, temos regiões em que se você dividir o volume de água pela população,
podemos considerá-las como áreas de déficit hídrico, como São Paulo e Rio de
Janeiro, por exemplo”, explicou o chefe das assessorias da Agência Nacional de
Águas (ANA), Antônio Félix Domingues.
A representante do ISA Marussia Whately
aponta a conta de água conjunta em condomínios residenciais como uma das causas
do alto consumo em regiões urbanas. “O usuário acaba não tendo o mesmo cuidado
com o aumento do consumo de água assim como tem com a conta de luz”, compara.
Ela defende que “pequenas transformações em hábitos diários podem gerar grandes
mudança” e acredita que a conscientização é uma das ferramentas para diminuir o
desperdício.
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