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Brasília - A Câmara dos
Deputados começa a semana com 14 medidas
provisórias (MPs) trancando a pauta de votações. Só no sábado (22), 11 MPs passaram
a trancar a pauta.
Na sessão plenária marcada para hoje (24), os deputados terão de votar os destaques da
MP 385, de 2007, que prorroga o prazo para o trabalhador rural
autônomo, enquadrado como segurado contribuinte individual,
requerer sua aposentadoria por idade no valor de um salário
mínimo.
Desde o início
da abertura do ano legislativo, no dia 6 de fevereiro, a pauta da Câmara está trancada por medidas provisórias, de
acordo com dados da Secretaria Geral da Mesa Diretora. Além disso, as obstruções
a votações têm contribuído para o
trancamento da pauta. Somente em duas sessões a pauta não
esteve trancada e numa dessas sessões, no último dia 13,
foi votado o projeto de lei que cria o Regime de Tributação
Unificada (RTU) para importações por via terrestre de
mercadorias procedentes do Paraguai.
Na primeira sessão
de votações da Câmara, no dia 11 de fevereiro, sete
medidas trancavam a pauta e apenas uma foi votada nesse dia. O deputado Lobbe Neto (PSDB-SP) entrou com requerimento
pedindo o adiamento da votação por duas sessões,
o que significa uma tentativa de obstrução, mas o
requerimento foi rejeitado pelos deputados e a apreciação
da matéria seguiu normalmente.
Na última
sessão plenária, que ocorreu no dia 19 desde mês,
três medidas estavam trancando a pauta. Os deputados deveriam
apreciar os destaques da MP 385, mas a votação foi
adiada. A votação de um dos quatro destaques à
medida chegou a ser anunciada, mas os partidos de oposição
declararam-se em obstrução por falta de quórum. Em
seguida, os partidos da base também se juntaram aos
oposicionistas e declararam obstrução. Com isso, a
votação dos destaques ficou para hoje.
Atualmente, uma
comissão especial da Câmara analisa proposta de emenda à Constituição que trata da mudança
no trâmite de medidas provisórias. Entre as mudanças
reivindicadas pelos parlamentares, está o não-trancamento
da pauta pela MP.
O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
defende essa posição. O ministro da Secretaria de Relações
Institucionais da Presidência da República, José
Múcio Monteiro, defendeu na última semana o trancamento da pauta
pela MP. De acordo com Múcio, caso a medida provisória
não tranque mais a pauta, ela perde seu sentido de relevância
e urgência e pode acabar preterida e perder a validade.
A decisão sobre
o trancamento está nas mãos do relator da
matéria na comissão especial, deputado Leonardo
Picciani (PMDB-RJ). Na semana passada, o deputado apresentou seu relatório
preliminar à comissão e propôs o não-trancamento da pauta. No mesmo dia, deputados do PT apresentaram propostas sugerindo
mecanismos de trancamento da pauta por MPs e mesmo após as
sugestões, o relator continuou resistente à manutenção
do trancamento. O relatório final sobre a matéria será
apresentado no dia 3 de abril.
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