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Brasília - Dos 5.564
municípios brasileiros, apenas 39% têm meios de destinação
adequada para os resíduos sólidos coletados, enquanto
os 61% dos municípios, que não dão destino
adequado, "contribuem para a degradação do meio
ambiente, do solo, das águas e, principalmente, estão
colocando em risco a saúde pública da população,
num quadro bastante precário", segundo o assessor Jurídico e de Assuntos Institucionais da
Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública
e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos Silva Filho, em
entrevista à Rádio Nacional.
De acordo com o assessor, a situação
mais crítica está concentrada nas Regiões
Norte e Nordeste, onde os percentuais de municípios que não
dão destinação adequada aos resíduos
sólidos chegam a 85% e 76%, respectivamente. Situação
inversa é registrada nas Regiões Sudeste, puxada pelo estado de São Paulo, e a Sul.
Carlos Silva Filho
citou o que ele considera um dado mais preocupante ainda: além
do alto percentual de municípios que não fazem
destinação adequada dos resíduos sólidos,
no ano de 2007 "dez milhões de toneladas de resíduos
urbanos sequer foram coletados, o que demonstra, com certeza, que eles não
tiveram destino adequado".
O diagnóstico
dessa situação precária, segundo o representante
da Abrelpe, se deve "a um conjunto de fatores, como a falta de
uma cultura sobre a real necessidade de adequação da
destinação dos resíduos sólidos, a falta
em muitos municípios de locais adequados para a construção
de aterros sanitários ou depósito ou qualquer outra
forma de recepção de resíduos adequada, mas,
principalmente, à falta de recursos a serem aplicados nesse setor".
Segundos dados citados
por Carlos Silva Filho, a média de gastos dos municípios
brasileiros, em 2007, com esse setor de resíduos sólidos,
está em R$ 2,20 por mês, por domicílio de quatro
pessoas, o que significa mais ou menos entre R$ 0,60 a R$ 0,80 por
dia, por pessoa:
"Então não dá para fazer
nada com esse valor tão pequeno", alerta o especialista.
Para Carlos Silva
Filho, não há necessidade de uso de recursos públicos
na melhoria dos serviços do setor, "porque existem
empresas privadas dispostas a investir nesse setor, embora falte
aplicação desses recursos públicos em pesquisas
de tecnologias alternativas e de reciclagem, o que significaria a
aplicação de políticas públicas de apoio
ao setor".
O representante da
Abrelpe lembrou que, na semana passada, a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma regulamentação
de que o pet (garrafa de plástico) agora pode ser reciclado para poder fazer pet para
alimentos novamente, porque a tecnologia permite isso.
"Nós temos
que ter o cuidado de não deixarmos que esse pet vá para
um aterro sanitário, mas que volte para a cadeia produtiva,
para se tornar pet novamente e volte para a sua utilização
normal", disse Carlos Silva Filho.
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