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22 de Março de 2008 - 18h22 - Última modificação em 22 de Março de 2008 - 18h22


A dez quilômetros de Brasília, moradores ainda convivem com esgoto a céu aberto

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O serralheiro José Silva faz parte do grupo de 30% de brasileiros que não têm suas casas atendidas por serviços de coleta de esgoto. Morador da Estrutural, bairro pobre do Distrito Federal - a dez quilômetros de Brasília - ele e outros 40 mil moradores sofrem diariamente com a falta de saneamento, visível nas ruas atravessadas por filetes e poças de esgoto.

“É um problema sério. Atrapalha até o trabalho da gente; às vezes chega um carro para eu fazer uma solda e eu tenho que dizer que não posso. Porque não posso trabalhar dentro da água”, relata.

“Sem saneamento básico, uma cidade não consegue ir para a frente. Não tem jeito. O comércio, por exemplo, só não se desenvolve mais por causa disso. Se você vê uma loja arrumada, mas tem uma poça de esgoto na frente dela você não vai entrar, é difícil para a gente”, acrescenta o líder comunitário Carlos Roberto, o Gaúcho.

Em quase todas as ruas, entre as casas simples, os filetes de água escura e mau-cheirosa fazem parte da paisagem. Sem tratamento, o esgoto da cidade têm destino certo: o Córrego Cabeceira do Vale, que passa a poucos quilômetros.

A dona-de-casa Kariele Duarte, moradora do bairro há nove anos, disse que não agüenta mais a situação. Ela conta que há alguns anos o quadro não era tão ruim, mas piorou depois que a administração local começou a passar tratores nas ruas e tentar cobrir as poças com cascalho. “Eles fecham as poças em uma rua e a água vem para a outra. Quando chove, fica impossível passar aqui”, conta, enquanto mostra a água acumulada na porta de casa.

“A gente só faz paliativos. A solução só vai vir com o sistema de águas pluviais”, reconhece Carlos Roberto.

Os irmãos Andressa e Felipe Gomes, de 10 e 9 anos, conhecem de perto as dificuldades listadas pelos adultos. “Não dá para brincar aqui, toda hora o pé fica sujo da água do esgoto”, lamenta Felipe. A irmã conta que na última temporada de chuvas, chegou a ficar com lama na altura dos joelhos. “Minha mãe não deixa a gente ficar muito na rua por causa disso. Dizem que a água pode dar doença também”.

A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) estima que sejam necessários R$ 57 milhões para implantar rede de esgotos na Estrutural. O dinheiro, segundo o governo local, devem ser liberado nos próximos meses. Os projetos técnicos já estão concluídos e a licitação para as obras está em andamento, de acordo com a Caesb.

“É a realização de um sonho você saber que vai ter águas pluviais e rede de esgotos, porque com isso vem toda a infra-estrutura da cidade”, disse o líder comunitário.



 


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