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Brasília - O consumidor não
precisa mudar o comportamento na hora de recorrer a empréstimos
e a compras parceladas, disse hoje (24) o ministro da Fazenda, Guido
Mantega. “Não deve haver nenhuma preocupação.
O consumidor vai continuar podendo comprar bens duráveis, como
televisores, geladeiras e automóveis", assegurou.
Mantega admitiu que considera excessivo o volume
de financiamentos de longo prazo, mas negou que o governo estude a
limitação do número de parcelas para a compra de
veículos, como alguns jornais chegaram a mencionar.
"Só falei que 80 ou 90 prestações
talvez fosse um número excessivo, mas não falei que 36
meses seria o adequado", rebateu Mantega em relação
aos financiamentos concedidos para aquisição de
veículos.
Segundo o ministro, medidas para conter o crédito
já foram tomadas quando, por exemplo, o governo aumentou para
0,38% a alíquota do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) para pessoas físicas, em janeiro, e a
cobrança de compulsório sobre aplicações
de empresas de leasing.
O ministro descartou ainda que o aquecimento da
economia brasileira possa se refletir em aumento do índice da
inflação neste ano. “No momento, não há
um processo inflacionário preocupante no Brasil, apenas uma
pressão externa provocada pelas commodities [bens
primários com cotação no mercado internacional]
e pelos alimentos, que devem baixar de preço quando começar
a safra”, destacou. “Se tirarem os alimentos, a inflação
cai para abaixo da meta.”
Hoje (24), o boletim Focus do Banco Central,
pesquisa semanal feita com cem instituições
financeiras, mostrou que os analistas de mercado projetam inflação
maior para este ano no atacado. A estimativa para o Índice
Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu de
5,20% para 5,42% e a previsão para Índice Geral de
Preços do Mercado (IGP-M) foi elevada de 5,36% para 5,43%. Os
dois índices medem o preço principalmente no atacado.
Já a projeção do Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2008 – índice
oficial usado pelo governo, que mede a inflação para o
consumidor – ficou inalterada em 4,44%, praticamente no centro da
meta de inflação para esse ano, que é de 4,5%.
Economistas acreditam que o aumento da inflação
poderia acarretar a elevação dos juros. Mantega, no
entanto, disse que essa decisão (de aumentar a taxa de juros)
cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom), do
Banco Central.
O ministro afirmou ainda que é necessário
que se faça uma análise do sistema de crédito e
das perspectivas de investimento dos setores da indústria com
maior utilização da capacidade instalada para evitar
uma escalada dos preços.
“Não vejo risco para agora, nem para 2009
ou 2010, justamente porque estamos nos antecipando. Quando nos
preocupamos em estimular os investimentos, queremos aumentar a oferta
desses setores”, destacou. “O tipo de preocupação
que nós temos é positiva, de quem está vivendo
um momento favorável, ao contrário dos Estados Unidos e
da Europa”, disse Mantega.
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