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Brasília - Trechos das obras de reforma e pavimentação da BR-319 – que liga
Manaus (AM) a Porto Velho (RO) – inseridas no Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) já estão em andamento e outras etapas
deverão ser licitadas e iniciadas neste ano. No entanto, ambientalistas e
organizações não-governamentais da
Amazônia defendem a construção de uma ferrovia
entre as cidades. O argumento é o de que a estrada de ferro geraria menos
impacto ambiental que a reativação da rodovia.
Um estudo
da Universidade Federal de Minas Gerais aponta que a com a
pavimentação da BR-319 serão desmatados 168 mil
quilômetros quadrados da Amazônia até 2050. Sem a
recuperação da estrada, o desmate seria de 53 mil
quilômetros quadrados – ou 68% menos degradante.
De acordo
com os defensores da construção de uma ferrovia, o asfaltamento estimulará o crescimento populacional desordenado e a ocupação
irregular da terra às margens da BR-319, além do chamado
efeito espinha de peixe, com a abertura de estradas vicinais floresta
adentro.
“A ferrovia prevê pontos de parada estratégicos para os comboios. Com isso, entre um ponto e outro, a grilagem perde um pouco o seu efeito, porque não haverá escoamento da produção, longe da parada do trem", avaliou Carlos Cury, coordenador de unidades de conservação do
Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. As comunidades tradicionais da floresta também preferem uma solução alternativa à rodovia, segundo Marcos Aripuanã, diretor da Coordenação
das Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira (Coiab). “O
asfaltamento é a porta de entrada da detonação
da Amazônia. Vai trazer estrangeiros, grandes empreendimentos
do sul ou de outros países. Vai atingir não só os povos indígenas, mas os ribeirinhos e os proprietários
da região. Minha preocupação é como vamos
garantir uma vida digna para as comunidades que estão lá,
porque vai entrar prostituição, droga, alcoolismo,
desmatamento – e não é isso o que a gente quer”,
argumentou.
Para o Ministério do Meio Ambiente, são
necessários “estudos mais aprofundados” que permitam avaliar as diferenças significativas entre impactos ambientais de
rodovias e ferrovias. De acordo com Fernanda Cândido, assessora do Departamento de
Combate ao Desmatamento, a
substituição não está sendo discutida
pelo governo.
“Isso é uma questão que tem de ser discutida com
outros ministérios, não envolve só
uma análise ambiental: entram outros critérios,
principalmente critérios econômicos”, afirmou.
A assessora explicou que as obras na BR-319 foram divididas em cinco
trechos: na reforma das duas pontas – próximas às
capitais – não foram necessários estudos de impacto
ambiental; para os demais trechos, as análises estão em
andamento e a licença ainda não foi concedida pelo
Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama).
“Sendo rodovia ou ferrovia, o ministério mantém a proposta
de criação de unidades de conservação
para aquela área”, acrescentou.
Colaborou Flávio Gusmão, da Rádio Nacional da Amazônia
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