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Brasília - Por questões políticas,
a Operação Arco de Fogo, deflagrada para combater o
desmatamento ilegal na Amazônia, enfrentará mais
dificuldades em Rondônia do que nos estados do Pará e de
Mato Grosso, onde também já foi iniciada. A avaliação
é do chefe de fiscalização da superintendência
estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama), Antônio Hernandes Torres.
"É
mais complicada [a operação] em Rondônia porque,
além da própria extração ilegal de
madeira, a arquitetura envolve agentes políticos ligados ao
governo estadual", afirmou Torres.
O
secretário estadual de Desenvolvimento Ambiental, Augustinho Pastore, também apontou divergências políticas como causa das dificuldades de acordo entre a
secretaria e o órgão federal: “A divergência é
política. O PT quer mandar. Mas aqui no estado, o governo não
é do PT.” A
cidade de Machadinho D`Oeste, onde a operação está
concentrada, é, segundo Antônio Torres, rota de foragidos da
Justiça e "abriga gangues que também se utilizam do
crime ambiental para seu sustento econômico". O tráfico
de drogas e a grilagem de terras públicas também
se destacam na região.
“A
dificuldade deles [Ibama] é porque vieram para cá
achando que Rondônia era uma desgraceira, que era pior que o
Pará e Mato Grosso. E não é”, avaliou o
secretário Pastore.
A realização de uma operação
paralela de combate ao desmatamento na mesma região, pelo
governo de Rondônia, é definida por Torres como um
tentativa de "colocar névoa" na atuação
dos fiscais federais. "Ela prejudica no sentido de ter antecipado algumas coisas que poderíamos ter feito. Mas de maneira alguma
vai interferir no resultado final da nossa operação",
argumentou.
Pastore respondeu que “temos um cronograma, desde
janeiro, de todas as operações que vamos realizar – e em janeiro eu não sabia da Operação Arco de Fogo
ou arco de nada”. Ele disse que pretende manter o calendário de ações do governo estadual, independentemente da atuação de operações
federais na região.
E acrescentou: “Em
30 dias eles não encontraram nada aqui em Rondônia. Esse
pessoal do Ibama gosta de transformar minhoca em sucuri.” De acordo com o Ibama, até hoje (25) foram
apreendidos mais de 1.030 metros
cúbicos de madeira ilegal em Machadinho D`Oeste. Nos
próximos dias, a operação será deslocada
para outros municípios do estado.
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