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Curitiba - O Paraná
colheu até agora 55% da atual safra de soja, estimada em 12
milhões de toneladas, a segunda maior produção
do país, com uma produtividade média de 3 mil quilos
por hectare plantado.
Os dados são
do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da
Agricultura do Paraná, que estima que 30% do total colhido até
agora já foram comercializados. O maior produtor nacional é
Mato Grosso, que deve colher 17,7 milhões de toneladas nesta
safra.
Segundo o engenheiro
do Deral, Otmar Hubner, responsável
pelo acompanhamento da cultura, o produtor paranaense é
muito bem informado quanto a questões de mercado e preços.
"A soja desta safra ele [o produtor] foi colhendo e vendendo com
base no "nervosismo" do mercado financeiro internacional e,
principalmente, das especulações sobre possível
aumento de área plantada para a próxima safra
norte-americana, o que culminou na derrubada dos preços do
produto”, disse.
Para Hubner, o
produtor sabe, por exemplo, que os Estados Unidos, primeiro produtor
mundial, estão colocando no mercado 70 milhões de
toneladas de soja. “Portanto, se [o produtor brasileiro] aumentar a
área plantada, aumenta ainda mais a oferta”, observou.
O engenheiro lembrou
que no último dia 3, a média paranaense da soja para a
venda era de R$ 47,56 a saca de 60 kg, variando de R$ 43 a R$ 50 nas
diferentes áreas do Estado. Hoje (25) , a média caiu
para R$ 41,54.
"Considerando-se
o baixo valor do dólar, em comparação com os
últimos anos, o preço da soja ainda está acima
dos patamares históricos, ficando difícil a especulação
sobre o seu comportamento futuro no mercado. Assim, quem não
aproveitar os preços do momento, na medida em que for
colhendo, estará assumindo um risco de resultado
imprevisível”, alerta.
O Paraná é
o maior produtor nacional de milho
e já colheu metade da safra prevista para este ano, que deve
ser de nove milhões de toneladas. Segundo levantamento do
Deral, 27% desse volume já foram comercializados.
"O
mercado está aquecido, o estoque mundial está baixo,
devido à utilização do produto no etanol . Em
dezembro passado, a saca de 60 quilos chegou a ser vendida por R$
24,94. Hoje, está em R$ 19,70, que ainda é um preço
muito bom", comentou a engenheira do departamento Margorete
Demarchi. Segundo ela, o produtor do milho também não
está estocando a produção.
A engenheira agrônoma
lembra que o milho é um produto tradicionalmente cultivado
para o consumo interno. "O Brasil não tinha a tradição
de competir no mercado externo, essa mudança vem acontecendo
nos últimos anos com a liberação do câmbio
e principalmente com o aumento da produtividade que diminuiu o custo
unitário", avaliou. Em 1980, eram colhidos 2,4 mil quilos
de milho por hectare e atualmente a produtividade é de 6 mil
kg/ha.
A cotação
do milho e da soja foi muito alta nos meses de novembro e dezembro,
segundo o analista técnico
da área econômica da Organização das
Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti. As duas
culturas tiveram redução de R$ 6 e R$ 7 a saca,
respectivamente, mas ainda assim, Mafioletti considera que ambos
estão rentáveis. "A orientação que
temos dado é que evitem [os produtores] grandes estoques e que
adotem vendas num sistema escalonável. O Paraná tem
pequenos produtores e suas dívidas são com bancos,
podem ser renegociadas. Os produtores não adotam o pagamento a
multinacionais em forma de produtos, e isso dá uma boa
tranqüilidade na negociação", enfatizou o
economista.
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