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São Paulo - O ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso disse hoje (26) que ficou constrangido pela
forma como determinados gastos com cartões corporativos no
período do seu mandato foram publicados na imprensa. De acordo
com o ex-presidente, gastos do protocolo ficaram parecendo que eram
gastos pessoais.
“Eu fiquei
constrangido com a forma. Por quê? Por exemplo, lá se
diz o seguinte: não sei quantas, 100 garrafas de champanhe,
eleições, dia 28 de dezembro. Ora, é mentira. No
dia 28 de dezembro não tinha eleição.
Provavelmente sabe o que ocorreu, não foi gasto meu, foi gasto
protocolar. Houve uma recepção, da posse. É
champanhe nacional. Isso aparenta para um publico maior, que não
sabe do que se trata, 'tá tomando champanhe'. Ou então,
a Ruth [Cardoso, primeira-dama] gastou R$ 100 para comprar um
não sei o quê numa visita à Colômbia. Não
foi ela. Se alguém gastou, foi o cerimonial, que retribuiu um
presente, coisa normal. Não é coisa pessoal. A maneira
como aparece é que está errada. Então veja tudo
direitinho como é para não dar essa falsa sensação
de que você está usando mal os recursos públicos,
quando não está. Não vamos fazer um cavalo de
batalha. Eu acho que se eu fosse o presidente Lula, eu diria o que eu
disse: 'olha venham ver o que eu fiz com o dinheiro, como é
que foi gasto esse dinheiro'. Não tem problema nenhum. Abre,
mostra, é melhor”.
Questionado por um
jornalista se ele esperava que o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva abra as contas dos gastos com cartões como ele teria
aberto, Fernando Henrique disse que há uma confusão e
equívocos nesse ponto.
“Veja, eu não
abri nada, sempre estiveram abertas. Aqui se criou uma noção
equivocada. Não existe conta sigilosa ou secreta da
Presidência da República, e tampouco são
pessoais. Porque em coisa pessoal nunca houve dinheiro público.
Não pode haver. Nem comigo nem com o presidente Lula. São
contas do governo, são gastos do palácio, contas
protocolares. Está havendo uma grande confusão. Se
houver dinheiro público para gasto pessoal, não pode,
está errado”, afirmou.
Quanto a aspectos de segurança
envolvidos nos gastos dos cartões, ele disse que “segurança
é outra questão”. “Que eu saiba, eu
chequei isso com os meus ministros, não havia contas secretas
por razões de segurança. Obviamente você não
vai anunciar o que é que o presidente vai fazer, para onde é
que ele vai, quem vai acompanhá-lo, é obvio. Outra
coisa é, passado um tempo, essas contas são públicas.
O que é gasto de segurança? É o deslocamento, é
a comida, a alimentação dos seguranças. Não
há segredo nisso. Naquele momento, obviamente, ninguém
vai estar anunciando de antemão. Eu pessoalmente não
vejo que haja matéria complexa nisso, desde que haja bom
senso”.
O ex-presidente defendeu o uso dos cartões
corporativos. “São bons porque o corporativo deixa
registrado o que fez e porque fez. O que é errado é
pegar o cartão corporativo e tomar dinheiro, usar para receber
dinheiro e não explicar. Aqui há dois fatos que têm
de ser esclarecidos. O resto é confusão política.
O Tribunal de Contas [da União] já aprovou as
minhas contas, a Secretaria de Controle Interno da Presidência
também, tudo isso é onda para disfarçar. Há
coisas erradas no passado? O que tem de errado está dito e
está visto - e é preciso ver porque é que está
errado e se está errado mesmo - é, primeiro, tem muito
cartão corporativo, foi multiplicado por dez o número
de pessoas que usam o cartão corporativo. Isso tem de ser
explicado. Pode ser justo, ou não. Segundo, o enorme volume de
recursos retirados sob a forma de dinheiro. O cartão
corporativo não é para retirar dinheiro, é para
pagar e ficar registrado. Se você tira R$ 20 mil em dinheiro e
não diz o que fez, alguma coisa está errada. Esses são
os fatos concretos que têm de ser objeto da CPI [dos Cartões
Corporativos] e é isso que deu origem à CPI, porque
são fatos determinados. Com relação ao passado,
não tem nada determinado e é mera exploração
política”.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
falou à imprensa após participar da mesa de abertura de
seminário promovido pela Associação Brasileira
de Agências de Regulação (Abar), na sede da
Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp).
* Colaborou José Donizete, da TV Brasil
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