26 de Março de 2008 - 19h18 -
Última modificação
em 27 de Março de 2008 - 16h13
Para conselho, orçamento da saúde é insuficiente para demandas de 2008
Marco Antônio Soalheiro Repórter da Agência Brasil
Brasília - Se não houver
acréscimo por parte do governo federal dos valores destinados
à saúde no orçamento de 2008 - R$ 48 bilhões
- sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a manutenção dos serviços estará
comprometida ao longo do ano. A avaliação foi feita
hoje (26) pelo presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS),
Francisco Batista Júnior, em entrevista ao programa Revista
Brasil, da Rádio Nacional.
“Existem estudos por
parte da nossa comissão de financiamento que mostram
claramente que com essa disponibilidade financeira o SUS [Sistema
Único de Saúde] não suporta a execução
das ações básicas, mínimas, que não
podem ser interrompidas. Não suportarão até o
mês de setembro corrente, o que é muito grave”,
afirmou Batista Júnior.
O presidente do CNS
lembrou que o setor contava no mínimo com mais R$ 4 bilhões
que viriam da Contribuição Provisória Sobre
Movimentação Financeira (CPMF), que acabou derrubada
pelo Congresso Nacional. Segundo Batista Júnior, a quantia
não resolveria os problemas do setor, mas “já serviria
para dar um alívio”. Os recursos poderiam ser usados no
atendimento das demandas de alta complexidade, em adequações
na tabela de procedimentos do SUS e na ajuda à estruturação
da rede de atenção básica nos municípios.
“Com a proposta de R$
48 bilhões, achamos que o sistema está inviabilizado e
a área econômica tem que garantir pelos menos os R$ 52
bilhões emergencialmente em 2008”, reforçou Batista
Júnior.
Ele afirmou que as entidades estarão mobilizadas
para uma manifestação em Brasília, no dia 07 de
abril, Dia Internacional da Saúde. Na pauta, uma possível
audiência com o Presidente da República. “Queremos
convencer o presidente Lula de que o seu governo não pode
cometer um equívoco brutal com uma área social vital
como é a saúde”.
Independente das
demandas para 2008, o CNS defende uma profunda reestruturação
do modelo brasileiro de saúde pública. O atual é
considerado “equivocado” pelo órgão por estar
centrado em tratamento de doenças e na “obediência”
a contratos com setor privado conveniado.
“Enquanto esperarmos
que as pessoas fiquem doentes para tratá-las, em vez
de trabalharmos para evitar que fiquem doentes, vamos ter sempre
demanda reprimida elevada e financiamento insuficiente”, disse
Batista Júnior.
“Tem que priorizar efetivamente a prevenção
e a promoção da saúde, a atuação
multi-profissional, intersetorial, com outras áreas como
saneamento e educação”, acrescentou.
O presidente do CNS
ainda espera que a regulamentação da Emenda 29 seja feita
pelo Congresso Nacional de maneira a garantir para o próximo
ano um orçamento ao setor de saúde superior a R$ 60
bilhões. “Com esse valor temos condições de
começar todo o processo de recuperação,
reestruturação e fortalecimento do sistema, que
enfrenta na questão de financiamento seu gargalo mais grave”.
O Ministério do
Planejamento informou que serão adotadas medidas na
programação de execução orçamentária
para contemplar a saúde com os recursos necessários ao
financiamento do sistema.
O Ministério da Saúde não
quis se pronunciar sobre as declarações de Batista
Filho sem conhecimento dos estudos que sustentam a posição
do conselho.