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Brasília - A epidemia de dengue no
Rio de Janeiro é atribuída pelo presidente do Conselho
Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior, a
equívocos cometidos pelos gestores públicos do setor de
saúde.
“O que está acontecendo lá é um
retrato fiel da falência de um modelo de atenção
que os gestores insistem em por em prática no Sistema Único
de Saúde (SUS). Os gestores optam pelo modelo equivocado, que
prioriza os hospitais, os medicamentos e o profissional médico,
em detrimento da prevenção”, afirmou hoje (26)
Batista Júnior, em entrevista ao programa Revista Brasil,
da Rádio Nacional.
Segundo o diretor do
CNS, o Rio de Janeiro carece de agentes comunitários de saúde
fazendo trabalho de educação e formação,
de obras de saneamento básico, de melhor estrutura em bairros
periféricos e de estratégias eficazes de combate ao
mosquito transmissor da doença.
Ele ressaltou que uma
situação semelhante se repete em muitos lugares do
Brasil. “Não se acaba a dengue com hospital e médico.
Se consegue com prevenção, educação,
informação e processo de convencimento, mas como não
temos isso pelo país afora, com raríssimas exceções,
as conseqüências ocorrem de forma dramática. E para
agravar mais ainda, com um financiamento insuficiente para se adotar
medidas que possam reverter o quadro”, afirmou.
Batista Júnior
considera que parte dos problemas de gestão na saúde
pública brasileira já começa na escolha dos
ocupantes dos cargos mais importantes do setor. Segundo ele, seriam
nomeadas pessoas sem preparação adequada para as
funções.
“Os gestores, via de
regra, são designados para as secretarias e serviços de
saúde para atenderem a interesses de grupos e corporações
organizadas, a interesses político partidários. Saúde
não pode ser gerida desta forma e utilizada como moeda
política. Tem que ser administrada com viés altamente
técnico”.
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