O líder o PSDB
no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou hoje (26) que o
partido pretende utilizar os 90 dias de trabalho da CPMI dos Cartões
Corporativos para tentar votar as quebras de sigilos, inclusive da
Presidência da República.
"Eu estou preocupado em ver o meu partido cumprindo com o seu dever. Fazer todos os pedidos de quebras de sigilo, de convocações de fulano e de beltrano, colocar todas as dúvidas. Se quiserem negar, que neguem. Nós estamos olhando e a opinião pública está de olho", afirmou o parlamentar.
O requerimento de convocação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi rejeitado hoje por 14 a sete.
O líder informou que ainda hoje pretende conversar sobre o assunto com o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), para consolidar a estratégia.
Agripino, no entanto,
tem outra opinião de como conduzir os trabalhos na CPI.
"Se for para os governistas continuarem tratorando as votações,
o melhor seria a oposição abandonar a comissão",
defendeu Arthur Virgílio e Agripino Maia concordam em um
ponto: dar prioridade à votação do requerimento
para que o Tribunal de Contas da União (TCU) repasse os
resultados das investigações que fez a respeito dos
gastos do governo, inclusive da Presidência, com os cartões
corporativos.
A presidente da CPMI, senadora Marisa Serrano, considera estranho o fato de o Tribunal de Contas da União (TCU), órgão de assessoramento do Legislativo, não poder repassar o resultado de seu trabalho aos deputados e senadores.
"É difícil imaginar que o TCU, que é um braço nosso, possa analisar esse documento e nós não".
As divergências entre governistas e oposicionistas na condução dos trabalhos estão manifestadas pelas prioridades estabelecidas pela presidente da CPMI e pelo relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).
Enquanto a tucana quer dar andamento, na próxima terça-feira (1), a apreciação dos requerimentos de pedidos de informações, inclusive do relatório do TCU, o relator considera que o fundamental, no momento, é ouvir o máximo de autoridades para se definir o que são gastos sigilosos.
"Nós queremos debater primeiro o tema segurança nacional para depois poder deliberar a matéria. Esse requerimento, na prática, é de quebra de sigilo, e isso, antes do debate de segurança, nós vamos nos posicionar contrariamente", afirmou o relator.