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Brasília - Entidades representantes do setor de produção agropecuária e parlamentares da Comissão de Agricultura
da Câmara dos Deputados avaliam como positiva a proposta
de renegociação da dívida rural apresentada
ontem (25) à noite pelo governo. Dos R$ 87,5 bilhões em débitos vencidos e a vencer estimados pela equipe econômica,
o governo pretende repactuar até R$ 56,3 bilhões.
Esses representantes, no entanto, consideram que ainda há pontos a serem
estruturados e que o governo deve ceder mais, reconhecendo o papel do
agronegócio no crescimento do país. O deputado Onyx
Lorenzoni (DEM-RS), presidente da Comissão de Agricultura, informou que
está marcada para as 10h de amanhã (27) uma reunião
técnica no Ministério da Fazenda, a fim de discutir soluções para pontos ainda divergentes, levantadas pela
comissão.
“O grosso dessa
dívida vence nos próximos quatro anos e é
evidente que a produção rural não tem
condição de pagar mais de R$ 20 bilhões nesse
período. Deve haver um alongamento disso para, efetivamente,
obter aquilo que o governo quer: a adimplência dos produtores e
a capacidade de eles voltarem a tomar o crédito rural, a ampliar
a área de plantio, a incorporar cada vez mais e melhores
tecnologias, e a aumentar o volume de produção", afirmou Lorenzoni.
O diretor de
política agrícola da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Antoninho
Rovaris, disse que a proposta do governo contempla, em parte, as
reivindicações dos pequenos produtores, mas precisa evoluir em pontos fundamentais.
“É preciso
um avanço significativo nesse processo de renegociação
para que, definitivamente, dê condições aos
agricultores, especialmente os familiares e assentados, de honrar
seus compromissos com a rede bancária. Cerca de 50
mil contratos da agricultura familiar ficariam fora do processo de
renegociação e entendemos que o governo precisa ter
uma ação mais concreta sobre isso”, afirmou Rovaris.
Já o presidente da
Comissão Nacional de Endividamento da Confederação
da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), deputado Homero
Pereira (PR-MT), destacou como ponto mais relevante da proposta a boa
vontade do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de manter um canal
aberto de negociações.
Em alguns pontos, como as linhas de crédito para custeio e investimentos, entretanto, “a proposta foi
muito acanhada, muito aquém das expectativas”, comentou.
Lorenzoni também confirmou para as 18h30 de segunda-feira a reunião de apresentação da proposta final de renegociação da dívida agrícola. E disse que o governo deve ter sensibilidade com o setor, pois ele
“capitaneou e liderou toda a evolução que o Brasil
teve nos últimos anos”.
*Colaborou Felipe Linhares, da Agência Brasil
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