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Recife - Os
Estados Unidos são o principal parceiro comercial do México, mas o risco
de sofrer os efeitos da crise norte-americana fazem com que este país busque novos acordos e impulsione negócios com outras regiões. De olho
nessas oportunidades, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
apresentou hoje (27) os atrativos do mercado brasileiro a
empresários mexicanos. “Resolvemos ser um país capitalista moderno”, afirmou Lula, em discurso na abertura do Fórum Empresarial Brasil-México, em Recife. Lula
falou sobre o aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas, a
ampliação do crédito, a estabilidade econômica, o ajuste fiscal e a
independência do país diante do Fundo Monetário Internacional (FMI). Várias
vezes, Lula mencionou o fato de Brasil e México terem as mais fortes economias e as maiores populações da América Latina. Aos
empresários brasileiros e mexicanos presentes ao encontro, Lula disse que é
hora de os dois países pararem de ter medo um do outro: “Do que nós temos
medo na nossa relação? O que o Brasil pode oferecer de perigo para o
México? O que o México pode oferecer de perigo para o Brasil? Qual é a
lógica do México não ter medo dos Estados Unidos e ter medo do Brasil?”, indagou. “Queremos aprimorar nossa relação comercial e ampliar os acordos que temos com o México.” De acordo com o presidente, a
diversificação da pauta bilateral de importações e exportações é um dos
focos do governo brasileiro. “Não é possível que dois países do tamanho
do México e do Brasil tenha a balança comercial basicamente em
função de automóveis e autopeças”, disse Lula. No ano passado, os automóveis
representaram 26,14% dos US$ 1,97 bilhões importados do México pelo
Brasil e 18,96% das exportações brasileiras para aquele país. A
tendência se manteve no primeiro
bimestre deste ano: os carros responderam por 16,72% de um total de US$
410 milhões gastos pelo Brasil na importação de produtos mexicanos e por 18,22% dos US$ 659 milhões vendidos pelo Brasil aos mexicanos. Lula
também defendeu mais equilíbrio na balança comercial bilateral,
superavitária para o Brasil. “Comércio internacional é uma via de duas
mãos: a gente tem que comprar e tem que vender. O desequilíbrio
não pode ser muito forte para um lado ou para o outro, precisa ser mais
ou menos uma coisa equânime para que seja justo”, ponderou. “Não é economicamente correto, não é socialmente justo que as duas
maiores economias desse continente, que as duas maiores populações
deste continente, tenham uma balança comercial de apenas US$ 5 bilhões”, concluiu.
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