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27 de Março de 2008 - 23h28 - Última modificação em 27 de Março de 2008 - 23h28


Lula diz que Brasil e México precisam parar de ter medo um do outro

Mylena Fiori
Enviada especial

 
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Recife - Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do México, mas o risco de sofrer os efeitos da crise norte-americana fazem com que este país busque novos acordos e impulsione negócios com outras regiões. De olho nessas oportunidades, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou hoje (27) os atrativos do mercado brasileiro a empresários mexicanos.

 
“Resolvemos ser um país capitalista moderno”, afirmou Lula, em discurso na abertura do Fórum Empresarial Brasil-México, em Recife. Lula falou sobre o aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas, a ampliação do crédito, a estabilidade econômica, o ajuste fiscal e a independência do país diante do Fundo Monetário Internacional (FMI). 
 
Várias vezes, Lula mencionou o fato de Brasil e México terem as mais fortes economias e as maiores populações da América Latina. Aos empresários brasileiros e mexicanos presentes ao encontro, Lula disse que é hora de os dois países pararem de ter medo um do outro: “Do que nós temos medo na nossa relação? O que o Brasil pode oferecer de perigo para o México? O que o México pode oferecer de perigo para o Brasil? Qual é a lógica do México não ter medo dos Estados Unidos e ter medo do Brasil?”, indagou. “Queremos aprimorar nossa relação comercial e ampliar os acordos que temos com o México.”
 
De acordo com o presidente, a diversificação da pauta bilateral de importações e exportações é um dos focos do governo brasileiro. “Não é possível que dois países do tamanho do México e do Brasil tenha a balança comercial basicamente em função de automóveis e autopeças”, disse Lula. No ano passado, os automóveis representaram 26,14% dos US$ 1,97 bilhões importados do México pelo Brasil e 18,96% das exportações brasileiras para aquele país. A tendência se manteve no  primeiro bimestre deste ano: os carros responderam por 16,72% de um total de US$ 410 milhões gastos pelo Brasil na importação de produtos mexicanos e por 18,22% dos US$ 659 milhões vendidos pelo Brasil aos mexicanos.
 
Lula também defendeu mais equilíbrio na balança comercial bilateral, superavitária para o Brasil. “Comércio internacional é uma via de duas mãos: a gente tem que comprar e tem que vender. O desequilíbrio não pode ser muito forte para um lado ou para o outro, precisa ser mais ou menos uma coisa equânime para que seja justo”, ponderou. “Não é economicamente correto, não é socialmente justo que as duas maiores economias desse continente, que as duas maiores populações deste continente, tenham uma balança comercial de apenas US$ 5 bilhões”, concluiu.



 


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