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28 de Março de 2008 - 00h01 - Última modificação em 28 de Março de 2008 - 00h15


Chávez garante que petrolífera venezuelana quer parceria com a Petrobras

Mylena Fiori
Enviada especial

 
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Recife - O presidente Hugo Chávez assegurou ontem (27) que a petrolífera estatal venezuelana (PDVSA) quer a parceria da Petrobras na exploração e produção de petróleo na Faixa do Orinoco, na Venezuela. Segundo ele, a PDVSA já atua na região com países como Rússia, França, Noruega, Itália e Cuba, entre outros.

 
A participação brasileira vem sendo negociada pela Petrobras e pela PDVSA de forma casada ao acordo de associação da Refinaria Abreu e Lima, no Complexo Aeroportuário de Suape. Na quarta-feira (26), após assinatura de acordo definindo as bases de uma futura parceria na refinaria pernambucana, a Petrobras divulgou nota informando que continua realizando estudos técnicos referentes à exploração do Campo de Carabobo 1, na Faixa do Orinoco, mas que limitará sua participação acionária a 10% - a proposta anterior era de 40%.
 
Embora mais uma vez os contratos de parceria tenham sido adiados, Hugo Chávez disse que brasileiros e venezuelanos deveriam ter orgulho do acordo de associação firmado entre as petrolíferas. “A relação entre Brasil e Venezuela passou a um novo nível de concreção”, avaliou, em declaração à imprensa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, novamente mencionando projetos semelhantes já firmados com outros países, como Cuba e Nicarágua, entre outros.

“É uma visão estratégica”, justificou. E mencionou o potencial energético da região: “A  maior reserva do mundo de petróleo está na América do Sul, além de uma das maiores de gás e de recursos hídricos.”
 
Sem citar os Estados Unidos e o presidente norte-americano, George W. Bush, Chavez mencionou, no discurso, “forças muito poderosas” que tentam impedir a união sul-americana. “Queremos a paz. Apesar disso, temos que seguir alertas. Há poderosos interesses que querem desestabilizar nossa região”, afirmou. Chávez disse ainda que continua disposto a ajudar em um acordo humanitároio na Colômbia, mas pediu que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, pare de vincular o governo da Venezuela às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
 
Tal pedido, segundo o presidente venezuelano, já foi feito diretamente a Uribe três vezes, desde a reunião do Grupo do Rio, no começo deste mês, em Santo Domingo – logo após a reunião, Chávez retomou relações diplomáticas com o país vizinho e ordenou o retorno das tropas que havia enviado à fronteira com a Colômbia, depois do ataque militar colombiano a um acampamento das Farc em território do Equador.
 
Na entrevista coletiva concedida hoje a jornalistas brasileiros e venezuelanos,  Chávez também comentou a entrada da Venezuela no Mercosul, ainda pendente de aprovação pelo Senado brasileiro e pelo Congresso paraguaio. Ele se disse otimista e deixou claro que a demora não impede projetos conjuntos da Venezuela com o bloco. “Estamos seguros de que haverá matrimônio, então já começamos o concubinato”, comparou.
 
Na quarta-feira, em Recife, Hugo Chávez recebeu o título de cidadão pernambucano. Ontem, ele seguiu para o Maranhão e, antes de retornar à Venezuela, cumprirá agenda no estado do Pará.

 


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