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Recife - O
presidente Hugo Chávez assegurou ontem (27) que
a petrolífera estatal venezuelana (PDVSA) quer a parceria da Petrobras na
exploração e produção de petróleo na Faixa do Orinoco, na Venezuela. Segundo ele, a PDVSA já atua na região com países como Rússia, França, Noruega, Itália e Cuba, entre outros. A
participação brasileira vem sendo negociada pela Petrobras e pela PDVSA
de forma casada ao acordo de associação da Refinaria Abreu e Lima, no
Complexo Aeroportuário de Suape. Na quarta-feira (26), após assinatura de acordo
definindo as bases de uma futura parceria na refinaria pernambucana, a
Petrobras divulgou nota informando que continua realizando estudos
técnicos referentes à exploração do Campo de Carabobo 1, na Faixa do
Orinoco, mas que limitará sua participação acionária a 10% - a proposta
anterior era de 40%. Embora
mais uma vez os contratos de parceria tenham sido adiados, Hugo Chávez
disse que brasileiros e venezuelanos deveriam ter orgulho do acordo de
associação firmado entre as petrolíferas. “A relação entre Brasil e
Venezuela passou a um novo nível de concreção”, avaliou, em declaração à
imprensa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, novamente
mencionando projetos semelhantes já firmados com outros países, como
Cuba e Nicarágua, entre outros.
“É uma visão estratégica”, justificou. E mencionou o potencial energético da região: “A maior reserva do mundo de petróleo está na América do Sul, além de uma das maiores de gás e de recursos hídricos.” Sem citar os Estados Unidos e o
presidente norte-americano, George W. Bush, Chavez mencionou, no discurso, “forças muito poderosas” que tentam impedir a união sul-americana.
“Queremos a paz. Apesar disso, temos que seguir alertas. Há poderosos
interesses que querem desestabilizar nossa região”, afirmou. Chávez
disse ainda que continua disposto a ajudar em um acordo humanitároio na
Colômbia, mas pediu que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, pare de
vincular o governo da Venezuela às Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia (Farc). Tal
pedido, segundo o presidente venezuelano, já foi feito diretamente a Uribe três vezes,
desde a reunião do Grupo do Rio, no começo deste mês, em Santo Domingo
– logo após a reunião, Chávez retomou relações diplomáticas com o país
vizinho e ordenou o retorno das tropas que havia enviado à fronteira
com a Colômbia, depois do ataque militar colombiano a um acampamento das
Farc em território do Equador. Na entrevista coletiva concedida hoje a jornalistas brasileiros e venezuelanos, Chávez
também comentou a entrada da Venezuela no Mercosul, ainda pendente de
aprovação pelo Senado brasileiro e pelo Congresso paraguaio. Ele se disse otimista e deixou claro que a demora não impede
projetos conjuntos da Venezuela com o bloco. “Estamos seguros de que haverá
matrimônio, então já começamos o concubinato”, comparou. Na quarta-feira, em Recife, Hugo Chávez recebeu o título de cidadão pernambucano.
Ontem, ele seguiu para o Maranhão e, antes de retornar à
Venezuela, cumprirá agenda no estado do Pará.
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