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Brasília - O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da
Presidência da República, Paulo Vannuchi, informou que a antiga sede da Escola
de Mecânica da Armada (Esma), na Argentina, vai abrigar o Instituto de
Políticas Públicas em Direitos Humanos do Mercosul e Países Associados.
"Esse instituto buscará estudar, comparar e harmonizar as leis de cada
país na área de direitos humanos, a resposta às violações de direitos humanos e
o tema do combate à impunidade”.
Vannuchi chefiou a delegação brasileira na 11ª Reunião das Altas Autoridades
Competentes em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul e Estados
Associados. O encontro terminou ontem (27), em Buenos Aires.
Entre 1976 e 1983, período mais duro da ditadura militar argentina, a Esma,
que era ligada à Marinha, foi
usada como centro de detenção e tortura de presos políticos.
Organizações de direitos humanos estimam a morte e o desaparecimento de 30 mil pessoas nos 26 anos de ditadura no país. Dados oficiais falam em 18 mil mortos e desaparecidos.
"É muito
importante esse marco simbólico neste local, que no passado
foi um centro de violência e ódio. E agora é um
centro de elaboração das políticas de direitos
humanos, não apenas relacionadas com os temas do direito à memória, à verdade e à
justiça, mas com todos os temas”.
O instituto será coordenado por representantes dos quatro países do Mercosul - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai -, além da Venezuela, cuja adesão ao bloco está em vias de se concretizar.
Vannuchi disse também que uma antiga reivindicação brasileira foi acolhida
pelos participantes do encontro: a criação de um grupo de trabalho para
discutir temas relacionados aos direitos dos deficientes. O grupo já deverá
estar constituído na próxima reunião do grupo, em julho próximo.
De acordo com ele, a idéia é tornar o tema comum a todos os países do Mercosul. Questões
relacionadas à acessibilidade urbana, preconceitos na convivência com
deficientes, desde a escola até o mercado de trabalho, barreiras humanas e de
atitude farão parte das discussões.
"É a troca de experiências entre os países que têm legislação mais avançada
e os demais países. Assim, vamos construindo cada vez mais um Mercosul que
harmoniza os avanços e se centra nos compromissos de respeito aos direitos
humanos”.
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