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Brasília - A atual legislação
brasileira praticamente "protege" o pedófilo que atua na internet, por conta da dificuldade em rastrear e
punir os criminosos. A opinião é do relator da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia na Internet,
senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Ele disse que a
dificuldade decorre da lei brasileira não considerar crime o
acesso e o download de material pornográfico com
crianças e adolescentes, e de que as provedoras de internet
não são obrigadas a fornecerem dados sobre os usuários.
Muitas delas, segundo o senador, têm apenas escritórios
no Brasil e armazenam seus dados e cumprem as leis de seus países
de origem.
"O pedófilo
hoje no Brasil, principalmente o que pratica crime via internet,
está totalmente protegido, raramente é apanhado",
disse Demóstenes. "Só por um lance de sorte a
Polícia Federal consegue ter acesso aos locais onde esses
crimes são praticados", completou.
A CPI ouviu hoje (27) os
delegados da Polícia Federal Carlos Sobrasl, responsável
pela área de crimes cibernéticos, e Felipe Tavares
Seixas, da Divisão de Direitos Humanos. Parte da reunião
teve de ser secreta, porque foram mostradas fotos pornográficas
e de abuso contra crianças e adolescentes.
Os delegados também
falaram da Operação Carrossel, que prendeu pessoas
envolvidas com pedofilia no fim do ano passado. Entre eles, estavam
um professor de educação física de crianças
e adolescentes e um instrutor de uma academia de ginástica.
O delegado Carlos
Sobral pediu uma legislação mais específica
sobre o assunto e fez um alerta: "Quando se fala em pedofilia na
internet, pensa-se muito que é um crime apenas virtual.
Mas o risco de assédio é real. Quando se vê uma
foto pela internet de abuso de criança e adolescente,
está se incentivando que alguém violente a criança
para fazer a foto. Na produção da imagem tem um ser
humano que está sendo violentado nos seus direitos, e isso é
gravíssimo".
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