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Brasília - O Brasil
ainda está longe de alcançar resultados suficientes em
relação a políticas educacionais, principalmente
para a educação infantil. A avaliação é
do coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação,
Daniel Cara, ao analisar os Resultados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada hoje (28) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo
com a Pnad, 14 milhões de brasileiros com até 17 anos
de idade estavam fora da escola ou creche em todo o país, a
partir de dados de 2006. “Esse dado deflagra um problema de
interpretação de alguns especialistas que apontam que o
Brasil já resolveu o problema de acesso à educação.
O país está longe de conseguir universalizar o acesso”,
aponta.
Na
avaliação de Cara, a educação infantil
ainda é o maior gargalo das políticas públicas
do setor. Os números da Pnad revelam que o aumento no
percentual de crianças com até três anos de idade que
freqüentavam creches entre 2004 e 2006, de 13,4% para 15,5%,
está bem abaixo da meta do Programa Nacional de Educação
(PNE), aprovado em 2001. Pelo plano, 30% da população
de até três anos de idade deveria estar na escola em 2006.
Os
problemas, segundo Cara, devem-se principalmente à
municipalização do serviço com o Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de
Valorização do Magistério (Fundef),
substituído a partir deste ano pelo Fundo Nacional de
Educação Básica (Fundeb).
“Os
municípios não conseguiram expandir as suas redes de
educação infantil: é urgente a necessidade de
fortalecimento dos programas de apoio da União em relação
aos municípios, tanto em termos de recursos como de assessoria
técnica”, sugere.
Para o
consultor em educação
e representante da Organização Mundial para
Educação Pré-Escolar (Omep), Vital Didonet, o
crescimento de 1,75% em relação a 2004 deve ser
considerado um avanço diante da “relação de
eterno descaso que a creche sempre teve nas políticas públicas
de educação”. No entanto, na avaliação
de Didonet, falta aos governos e à sociedade brasileira
valorizar mais o papel da educação nos primeiros anos
de vida como parte fundamental da formação do
estudante.
“Falta
compreensão de que essa faixa de idade é a fundamental.
A aprendizagem é continua, mas é progressiva, vai se
construindo sobre etapas anteriores. Se a primeira etapa não
for bem atendida, a segunda já começa com dificuldades,
com alunos que reprovam facilmente, que precisam de reforço,
por exemplo”, argumenta.
Os
especialistas também defendem a formulação de
políticas de educação mais concentradas na
redução das desigualdades regionais e na qualificação
de professores.
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