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Brasília - A execução
de gastos autorizados no orçamento de 2007 fez com que os
investimentos crescessem em ritmo superior ao aumento total das
despesas nos dois primeiros meses de 2008.
Esses recursos, chamados
de restos a pagar, permitiram ao governo federal driblar as
restrições provocadas pelo atraso na votação
do Orçamento Geral da União deste ano e manter a
trajetória de crescimento dos investimentos.
Pelo resultado da arrecadação do
Tesouro Nacional referente ao mês de fevereiro, divulgado hoje
(28), os investimentos do governo federal cresceram 20,3% no primeiro
bimestre deste ano na comparação com o mesmo período
do ano passado. Os investimentos passaram de R$ 1,974 bilhão
para R$ 2,375 bilhões em 2008.
O conjunto das despesas, no entanto, aumentou
15,1% em termos nominais – sem descontar a inflação e
o crescimento da economia.
Ao descontar o crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB), que é a soma das riquezas produzidas no país,
o volume de investimentos também cresceu mais que a despesa.
De acordo com o Tesouro Nacional, o total de investimentos em janeiro
e fevereiro aumentou 6,4% acima do crescimento nominal do PIB, contra
expansão de 1,8% das despesas.
Por causa do atraso na votação do
orçamento, aprovado pelo Congresso Nacional no último
dia 12, os gastos do governo ficaram limitados às despesas de
custeio (administração da máquina pública)
e a desembolsos que não podem ser cortados, como o pagamento
de pessoal e da dívida pública. Os investimentos
previstos no orçamento deste ano, no entanto, ficaram
congelados por quase três meses.
Para o secretário do Tesouro, Arno
Augustin, os resultados comprovam que o governo está
conseguindo ampliar os investimentos sem pôr em risco o
equilíbrio das contas públicas. “Chegamos a uma
equação fiscal sustentável. Um superávit
primário de R$ 20,4 bilhões [no acumulado de
janeiro e fevereiro] é uma conquista importante. Com o
aumento do investimento, esse valor fica ainda mais significativo”,
avaliou.
Os restos a pagar também impulsionaram os
gastos com o Projeto Piloto de Investimento (PPI). Os pagamentos
acumulados no PPI somaram R$ 651 milhões nos dois primeiros
meses de 2008, contra R$ 297 milhões no mesmo período
do ano passado, aumento de 120% em termos nominais.
Mesmo com o crescimento em janeiro e fevereiro, o
valor está bastante abaixo da meta de R$ 13,1 bilhões
prevista para o PPI neste ano. O PPI permite ao governo federal
abater do superávit primário (economia de recursos para
o pagamento da dívida pública) os gastos com
determinados investimentos em infra-estrutura.
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