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São Paulo - A Justiça Federal de Primeira Instância
no Estado de São Paulo divulgou hoje (31) decisão
favorável a um mandado de segurança coletivo impetrado
pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo
(Ciesp), que determina a liberação de todas as cargas
retidas no Porto de Santos e nos aeroportos de Campinas e Guarulhos
em razão da greve dos auditores fiscais federais.
A greve foi deflagrada no último dia 18 e a
decisão do juiz federal Marco Aurélio de Mello
Castrianni, da 1a Vara Cível, foi tomada na
sexta-feira (28), em caráter liminar, ou seja, tem aplicação
imediata. “Embora o direito de greve seja amparado no plano
constitucional, essa mesma prerrogativa não pode eclipsar, por
conta da ponderação de valores constitucionais em
questão, o princípio da continuidade do serviço
público”, disse o juiz em seu despacho.
Castrianni determinou que sejam liberadas as cargas que
se encontram no chamado Canal Verde, categoria federal que libera da
necessidade de fiscalização rigorosa e in loco cargas importadas ou que serão exportadas, e que estejam tanto no Porto de Santos,
quanto nos aeroportos internacionais de Campinas e Guarulhos. Cerca
de 70% de todas as cargas de importação e exportação
do país são liberadas através do Canal Verde.
Segundo o presidente da regional de Santos do
Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal
(Unafisco), Wellington Clemente Feijó, os contêineres do
Canal Verde são liberados isoladamente ou em lotes, conforme
acompanhamento prévio e determinação da Receita
Federal. Ele argumentou que o Canal Verde está sendo
respeitado, mas os auditores estão mantendo em plantão
apenas os 30% de funcionários, em revezamento, conforme
determinação legal.
O Sindicato dos Operadores Portuários
informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a greve ainda não
paralisou os 60 terminais de carga de Santos. Mas o diretor do
Ciesp em Santos, Ronaldo Forte, alegou que “é permitida a
retirada da carga desde que a fiscalização assine os
papéis de liberação” e isso está sendo
represado pela redução do pessoal a 30%. Agora, com a
liminar judicial, que beneficia os filiados do Ciesp, a liberação
tem de ser feita.
“A informação que eu tenho é
de que está tudo atendendo dentro dos 30%, não só
o Porto de Santos e aeroportos, mas inclusive os portos secos [áreas
provisórias de estocagem]. Eles estavam liberando apenas a
carga perecível e algumas de urgência urgentíssima”,
disse Ronaldo Forte.
De acordo com ele, a greve somou-se à
entrada em vigor do Sistema Integrado de Comércio Exterior
(Siscomex). “O Siscomex carga é o que vai informatizar a
Receita e o acompanhamento de todas as cargas, desde a saída
no exterior até a chegada no destino. Esse acompanhamento
exige certificação digital, que é uma mudança
fundamental no comércio exterior. Nem todo mundo ainda está
preparado para o Siscomex e o atendimento pessoal para esclarecer
dúvidas também ficou só com 30% dos fiscais”,
explicou Forte.
Segundo a assessoria de imprensa da Companhia
Docas do Estado de São Paulo, foram movimentados no Porto de
Santos 136,5 mil contêineres, em janeiro, com 2,3 milhões de
toneladas de cargas.
Os auditores fiscais da Receita têm, hoje, um
salário inicial de R$ 10.155, que pode chegar a R$ 13.382 no
final da carreira. A categoria pede novos valores de piso e teto e
utiliza como parâmetros os da Polícia Federal, que tem
teto superior a R$ 19 mil. As negociações remontam ao
primeiro mandato do atual governo.
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