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Brasília - Os custos diretos e indiretos do licenciamento ambiental
para a construção de uma usina hidrelétrica
podem chegar a 20% do orçamento total da obra. Além do
custo, a falta de clareza entre as atribuições de
gestores ambientais estaduais e federais, e a má-qualidade dos
Estudos de Impacto Ambiental (EIA) também restringem
investimentos em geração hidrelétrica.
O
diagnóstico é do Banco Mundial, apresentado no
relatório Licenciamento Ambiental de Empreendimentos
Hidrelétricos no Brasil: Uma Contribuição para o
Debate.
“O licenciamento ambiental de projetos hidrelétricos
no Brasil é considerado um grande obstáculo para que a
expansão da capacidade de geração de energia
elétrica ocorra de forma previsível e dentro de prazos
razoáveis”, aponta o documento.
De acordo com um dos autores do relatório, Garo
Batmanian, os gargalos do licenciamento começam na fase
inicial dos processos. “Se o planejamento energético
definisse melhor quais são as hidrelétricas que vão
ficar no mesmo rio, seja nos próximos cinco anos, isso ajudaria a
análise para obter a licença prévia de uma vez
só, por exemplo. Alguns assuntos ambientais e sociais que
poderiam ser resolvidos no planejamento, de decisão
preliminar, acabam sendo discutidos no momento de licenciamento do
empreendimento em si”, afirmou.
Outros pontos críticos, segundo Batmanian, são
a demora na elaboração dos termos de referência –
que fornece os critérios básicos para o licenciamento –
e a falta de qualidade dos estudos de impacto ambiental, produzidos pelos proponentes da obra. Ele destacou que em 2005 era de 13 meses a
média de tempo de elaboração de termos de
referência pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O relatório do Banco Mundial critica ainda a
atuação “ilimitada” do Ministério Público,
que, segundo os autores, “é importante fator para a falta de
previsibilidade e cumprimento com os cronogramas do processo de
licenciamento ambiental, pois permite que seus membros participem de
atos técnicos ou administrativos típicos do órgão
ambiental”. Para Batmanian, "se a divisão de tarefas fosse mais clara, seria menos necessária a atuação
do Ministério Público – quando a zona cinza é
muito grande, existe uma tendência de o MP intervir com maior
vigor".
O estudo sugere medidas para garantir mais eficiência
ao licenciamento, entre elas a definição, por lei, das
atribuições estaduais e federais no processo; o
aperfeiçoamento profissional dos agentes públicos e
privados responsáveis pela elaboração e análise
de estudos e licenças; e a criação de mecanismos
administrativos de solução de conflitos, para evitar que
cheguem à Justiça.
As recomendações
também incluem a dispensa de estudos e relatórios de
impacto ambiental para concessão de licença prévia,
limitando a restrição para a etapa da licença de
instalação.
O Ministério de Minas e Energia, que colaborou para a elaboração do relatório, informou por meio de sua assessoria que reconhece a necessidade de mudanças apontadas
nas recomendações.
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