|
Rio de Janeiro - O Ministério Público Federal (MPF) quer
que o estudo de impacto ambiental da Usina Nuclear Angra 3 seja
melhorado e complementado. Segundo afirmou à Agência
Brasil a procuradora em Angra dos Reis, Ariane Alencar, o órgão
entende que “existe muita omissão de informação
ainda”.
A procuradora participou na última semana
de quatro audiências públicas sobre Angra 3 realizadas
pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis(Ibama) nos estados do Rio de Janeiro e de São
Paulo.
No ano passado, houve audiências públicas,
mas foram anuladas a pedido do MPF, por entender que tanto o Ibama
quanto a Eletronuclear, que é a estatal que administra e opera
as usinas nucleares, não disponibilizaram o Estudo de Impacto
Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental(EIA/RIMA) com a
antecedência que a lei exige.
Na ocasião, o Ministério Público
entrou na ocasião com uma ação civil pública
e ganhou liminar, contra a qual o Ibama não recorreu. Daí
terem sido convocadas as novas audiências públicas, que
aconteceram na semana passada.
Segundo Ariane Alencar, entre os pontos que
necessitam de complementação no EIA/RIMA de Angra 3
está a previsão de alternativas tecnológicas
para o empreendimento. Isso estaria previsto na Resolução
1/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
No caso de uma usina nuclear, isso significa que
teriam de ser apresentadas alternativas à construção.
“É necessário que seja feito um
estudo comparativo de custo, de impacto ambiental, que contemple
desde a mineração do urânio até o
enriquecimento e encaminhamento desse material para as usinas. E
comparar isso com as outras fontes de energia disponíveis,
para saber se vale a pena, do ponto de vista ambiental, construir a
usina de Angra 3”, informou.
A procuradora destacou que, na verdade, isso
deveria ser feito antes do licenciamento. Outro ponto considerado
fundamental pelo ministério público se refere ao
depósito definitivo de rejeitos radioativos. Ela sublinhou que
até hoje Angra 1 e Angra 2 geram rejeitos radioativos que
estão armazenados temporariamente nas próprias usinas.
“E a gente não sabe por quantas centenas, milhares de anos,
esses rejeitos podem gerar algum dano à saúde humana,
ao meio ambiente”.
Alencar citou lei de 2001 que determina à
Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) a construção
de depósitos definitivos. Disse que essa lei até hoje
não foi cumprida. “E agora a Eletronuclear quer construir
Angra 3 sem que exista depósito definitivo”.
O entendimento do MPF é que, tendo em vista
a periculosidade do material radioativo, antes de se pensar em
construir uma terceira usina é preciso definir o que vai ser
feito com o lixo produzido pelas usinas anteriores, que se acham em
operação.
A procuradora do MPF em Angra dos Reis afirmou que
o órgão vai encaminhar ao Ibama uma recomendação
definitiva em relação ao licenciamento da usina. A
indicação do MPF é de que o Ibama não
conceda o licenciamento ao empreendimento com esse EIA/RIMA. “Mas
que os estudos de impacto ambiental sejam melhorados”.
Ela revelou que o MPF tem uma ação
civil pública contra a construção de Angra 3 por
ilegalidade e ofensa à Constituição. A
procuradora deixou claro, porém, que uma vez que não há
liminar, “juridicamente, o licenciamento é válido e
está acontecendo”. Ela acrescentou que não é
contra o licenciamento. “O que a gente quer é aperfeiçoar
os estudos de impacto ambiental”.
|