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Brasília - O ex-ministro do Planejamento,
João Paulo dos Reis Velloso, disse hoje (1o) que o governo começou a
"perceber um novo sentido na política fiscal", ao anunciar que pretende reduzir os
gastos correntes - pessoal e custeio da máquina pública. Ele lembrou que a iniciativa permite a liberação de mais recursos
para outros setores da economia.
"Não é só fazer superávit
primário. É preciso contribuir para o combate à inflação para dependermos menos
da política monetária", disse Reis Velloso. Segundo o ex-ministro, a redução dos gastos públicos poderá ajudar a equilibrar o câmbio à medida que vão sobrar mais
reais no mercado. O mesmo efeito seria sentido no combate à inflação.
Sobre os impactos da crise externa
na economia nacional, Reis Velloso se absteve de fazer qualquer prognóstico. "Isso aí,
nem Deus sabe. Mas o que podemos dizer é que não temos vulnerabilidade
externa", disse.
Para ele, "se o governo fizer o
que tem que ser feito", como a implementação de uma nova política industrial
para estimular as exportações, o país estará melhor preparado para as turbulências. "Até aqui, nós fomos beneficiados
pela sorte. Chegou a hora de fazermos um grande esforço para exportarmos mais,
principalmente manufaturados", afirmou.
O governo deve anunciar nos
próximos dias uma nova política industrial, com um programa de estímulo às
exportações. Um dos objetivos, segundo informou o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, é voltar a melhorar o saldo em conta corrente, um dos principais
indicadores das contas externas brasileiras. O saldo em conta corrente tem registrado déficit,
influenciado principalmente pela valorização do real.
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