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1 de Abril de 2008 - 18h09 - Última modificação em 1 de Abril de 2008 - 18h20


Importação de bens de capital sob encomenda cresce e preocupa indústria

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Empurradas pelo câmbio favorável, as importações continuam crescendo a ritmo mais acelerado e o setor que particularmente preocupa a indústria nacional é o de bens de capital sob encomenda. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, para quem a ampliação das compras deste tipo de produto no exterior põe em risco a produção brasileira.

“Essa é uma indústria muito sólida, que requer investimentos maciços e formação de pessoas. Embora os indicadores demonstrem uma expansão das atividades industriais internas, estamos perdendo muito espaço para equipamentos importados”, avaliou hoje (1º) depois de participar da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), em Brasília.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Godoy antecipou que os bens de capital sob encomenda serão contemplados na nova política industrial do governo federal – que deve ser divulgada nas próximas semanas. Ele descartou a aplicação de sobretaxa para entrada deste tipo de produto no país. “Temos que criar condições internas de competição para favorecer essa comparação com o câmbio como está”, opinou.

Entre as medidas da política industrial, devem constar programas de incentivo à inovação e ao desenvolvimento tecnológico. Outra medida provável é a desoneração de investimentos. “Há uma série de medidas que podem ser tomadas e esperamos que elas sejam o pontapé inicial para cobrir parte dessa indústria que não está conseguindo competir por fatores alheios à sua vontade e ao domínio das próprias empresas”, disse Godoy.

Sobre a crise norte-americana, Godoy disse que o Brasil não está imune aos seus reflexos e que o momento é de cautela. “Com a economia globalizada, qualquer um que tenha um problema doméstico acaba afetando os outros de alguma maneira”, afirmou. Ele frisou que os Estados Unidos respondem por 30% do comércio mundial.

O presidente da Abdid não teme, no entanto, o fantasma doméstico da inflação - que deixa o governo federal em alerta em razão do aumento do consumo interno. “Não há uma sinalização de um problema de recrudescimento da inflação. Alguns indicadores vão para esse caminho, outros não”, ponderou.

Godoy defendeu a desoneração dos investimentos de forma a incentivar a expansão do setor produtivo e o conseqüente aumento da oferta. “Combater a inflação é ter um sistema de fornecimento de produtos, bens de consumo, bens duráveis e matéria-prima suficiente para abastecer o crescimento do país. Temos que estar preparados para isso porque o país ainda tem uma oportunidade enorme de expansão do consumo”, avaliou.








A matéria foi alterada para acréscimo de informações
 


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