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Brasília - A Confederação Nacional
do Comércio (CNC), responsável
pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) e pelo
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), está
aberta a discutir as mudanças no Sistema S propostas pelo
Ministério da Educação (MEC), desde que elas não
interfiram na autonomia de gestão das entidades. A posição foi expressa hoje (2) por Luiz Gil Siuffo,
vice-presidente financeiro
da CNC. Ele
participou de reunião, na Câmara dos
Deputados, convocada pelas frentes parlamentares em Defesa das
Políticas de Juventude e em Defesa da Educação
Profissional, do Ensino a Distância e Novas Tecnologias, para
tratar sobre o projeto de reforma no Sistema S apresentado na semana
passada pelo MEC.
“As
entidades estão abertas ao diálogo. Se, no momento, a
prioridade é formação profissional, vamos
conversar sobre isso. Estamos prontos a colaborar desde que sejam
respeitadas as atribuições do Sistema S”, disse
Siuffo referindo-se à autonomia na gestão das entidades,
atribuída pela Constituição Federal.
Segundo
ele, a inversão proposta nos percentuais legais destinados às
áreas de assistência social e de aprendizagem
profissional (fixadas respectivamente em 1,5% e 1% sobre a folha de
pagamento das empresas) é coerente diante das necessidades do país, mas precisa ser feita de
forma gradual. “Nós estávamos voltados para a
assistência social, com 2700 unidades do Sesc espalhadas pelo
país, com receita bastante superior à do Senai. Como nós
vamos fazer essa transição? Se vamos transferir
funcionários, instalações, tudo isso nós
temos que sentar e discutir”, argumentou.
Sobre
a oferta de matrículas gratuitas como novo critério
para distribuição dos recursos aos departamentos
estaduais, Siuffo afirmou que o Senac cobra apenas taxas de materiais
para seus cursos, mas, com aporte maior de recursos, poderá
oferecer os serviços de graça.
Para
o deputado João Mattos (PMDB-SC), presidente da Comissão
de Educação e Cultura da Câmara, a iniciativa do Ministério da Educação é positiva. “Vemos com
muitos bons olhos. Há muito tempo não se revisa a
legislação sobre o uso dos recursos do Sistema S que,
evidentemente, faz bom investimento. Mas achamos que isso pode ser
otimizado e render muito mais em termos de número de jovens na
educação profissional”, avaliou.
Mattos enfatizou que, mesmo se forem atingidas as metas do Plano de Nacional
da Educação, em 2010, só 30% dos jovens de 18 a
24 anos no país terão vagas no ensino
superior asseguradas. “Os outros 70% têm que ter uma ocupação,
uma orientação profissional e vocacional. Isso se fará
por uma rede de estabelecimentos de educação
profissional e por que não capitaneados pelo Sistema S?”,
ponderou o deputado.
Presente na reunião, o ministro da Educação, Fernando Haddad,
considerou “excelente”
a receptividade dos parlamentares à proposta. “Vi que há a compreensão de que queremos preservar a autonomia do
sistema, mas estabelecer regras clara [para o uso] de um recurso
arrecadado por toda a sociedade, com a perspectiva de inclusão
do jovem do Ensino Médio que não vê, nesse momento,
uma perspectiva de acesso ao Ensino Superior”, afirmou.
Haddad
informou que questionamentos feitos na reunião
poderão ser incorporados à proposta inicial divulgada pelo ministério na semana passada. Entre as sugestões apresentadas, está a exigência de que as vagas gratuitas de ensino
profissionalizante sejam destinadas a alunos de escolas públicas ou
a trabalhadores beneficiários do seguro-desemprego. De acordo
com o ministro, o requisito pode ser substituído por um
critério que leve em conta, por exemplo, a renda familiar para
definição do público-alvo.
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