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3 de Abril de 2008 - 13h58 - Última modificação em 3 de Abril de 2008 - 16h38


Economista diz que alta de juros poderia "amortecer" crescimento da indústria

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O aumento da taxa básica de juros, a Selic, poderia "amortecer" o crescimento do setor industrial, na avaliação do economista chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. O economista avaliou, entretanto, que o impacto depende do "tamanho" da alta e do período em que seria mantida.

Ele explicou que, quando há aumento dos juros, há saída de investimentos na produção para as aplicações financeiras, o que  reverte as expectativas das empresas. "Na eventualidade dessa alta de juros, acho que vamos ter um sinal negativo para os mercados. A taxa de juros vai ter um impacto sobre a expectativa de crescimento, de consumo, e isso pode contaminar negativamente algumas decisões de investimentos que estão para ser tomadas", afirmou.

Segundo ele, a política industrial, prevista para ser divulgada este  mês, e a elevação dos juros, que poderia ocorrer na próxima semana na reunião do Comitê de Política Monetária nos dias 15 e 16 de abril, seriam "anúncios que não soam na mesma direção".

Na ata da última reunião do Copom e no relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central mostrou preocupação com o descompasso entre demanda (procura por produtos e serviços) e oferta, o que poderia levar ao aumento da inflação. Atualmente, a Selic está em 11,25%. Para definir a taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) leva em consideração fatores como trajetória de inflação e cenário externo.

Para Castelo Branco a elevação dos juros básicos seria uma decisão precipitada. "Os dados [divulgados hoje pela CNI] mostram que não há pressão do setor industrial para o lado da oferta. Tivemos aumento da produção, simultaneamente com pequena redução do grau de uso da capacidade instalada, o que mostra que os investimentos estão amadurecendo e entrando em operação".

O economista disse ainda que não existe descontrole da inflação de forma disseminada. "Não é necessário mexer na política monetária. Se há necessidade de adequar alguma coisa na demanda, temos que olhar para todos os componentes, não só o privado, ou seja, o consumo das famílias e os investimentos das empresas, mas também o consumo público, principalmente os gastos correntes [despesas do governo com salários, por exemplo]".

 


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