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Rio de Janeiro - As
obras dos primeiros apartamentos destinados às famílias deslocadas pelo
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Complexo de Manguinhos,
na zona norte do Rio, começaram hoje (3). No antigo Depósito de Suprimentos do Exército (Desup) serão construídos prédios
de quatro andares, com 314 apartamentos de 45 metros quadrados. A previsão é
que as obras sejam concluídas dentro de seis meses.
O
local, que tem 80 mil metros quadrados, área equivalente à do estádio
do Maracanã, também receberá uma escola de ensino médio, biblioteca,
parque aquático e uma unidade hospitalar. O programa prevê ainda a
preservação de unidades culturais e históricas como a antiga torre do
Desup.
Segundo
o presidente da Empresa de Obras Pública (Emop), Ícaro Moreno, serão
construídas de 1.774 unidades habitacionais para a comunidade do Complexo de Manguinhos. Além
do Desup, formam escolhidos um terreno que pertencia à Embratel, um da antiga CCPL (Coopertativa Central de Produtores de Leite do Rio) e um na Rua Uranos, no subúrbio da Penha.
Ao todo, 2,1 mil famílias serão retiradas do Complexo de Manguinhos por conta das obras do PAC. Ícaro Moreno informou que elas também
contarão com a opção de receber casas na própria comunidade, pelo
mesmo valor do imóvel que já ocupavam ou poderão ser indenizadas.
Segundo ele, dentro de uma semana uma instituição credenciada pela
Caixa Econômica Federal entrará em contato com as famílias para iniciar
as negociações.
O
vice-governador e secretário de Obras do Rio, Luiz Fernando Pezão,
enfatizou que os moradores receberão o título de propriedade dos
imóveis. “Vamos dar títulos de propriedade a todos os moradores. As
famílias poderão fazer melhorias nas suas casas e, claro, inclusive
vendê-las. Nós vamos priorizar a titulação no nome das mulheres, para
não ter problemas [no caso de o] homem acabar abandonando a família”.
De
acordo com Isabel Cristina de Silva, que pertence à associação de
moradores de uma das favelas de Manguinhos, as novas moradias estão
sendo aguardadas “com ansiedade”. As famílias teriam
sido avisados do deslocamento há dois meses, mas ainda não sabem
quando serão iniciadas as negociações. “As
pessoas da minha comunidade são muito carentes, algumas moram na beira
do rio. Os barracos lá já têm doze anos, e em muitos, a parte de trás
já desabou”, disse Isabel Cristina de Silva. “Uma outra parte das
famílias irá preferir a indenização. Tem muito nortista, principalmente
da Paraíba, que vai querer pegar o dinheiro e voltar para casa”, contou
após visitar as obras.
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