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3 de Abril de 2008 - 13h38 - Última modificação em 3 de Abril de 2008 - 13h38


Começam obras de apartamentos para famílias do Complexo de Manguinhos

Aline Beckstein
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - As obras dos primeiros apartamentos destinados às famílias deslocadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio, começaram hoje (3). No antigo Depósito de Suprimentos do Exército (Desup) serão construídos prédios de quatro andares, com 314 apartamentos de 45 metros quadrados. A previsão é que as obras sejam concluídas dentro de seis meses.

O local, que tem 80 mil metros quadrados, área equivalente à do estádio do Maracanã, também receberá uma escola de ensino médio, biblioteca, parque aquático e uma unidade hospitalar. O programa prevê ainda a preservação de unidades culturais e históricas como a antiga torre do Desup.

Segundo o presidente da Empresa de Obras Pública (Emop), Ícaro Moreno, serão construídas de 1.774 unidades habitacionais para a comunidade  do Complexo de Manguinhos. Além do Desup, formam escolhidos um terreno que pertencia à Embratel, um da antiga CCPL (Coopertativa Central de Produtores de Leite do Rio) e um na Rua Uranos, no subúrbio da Penha.

Ao todo, 2,1 mil famílias serão retiradas do Complexo de Manguinhos por conta das obras do PAC. Ícaro Moreno informou que  elas  também contarão com a opção de receber casas na própria comunidade, pelo mesmo valor do imóvel que já ocupavam ou poderão ser indenizadas. Segundo ele, dentro de uma semana uma instituição credenciada pela Caixa Econômica Federal entrará em contato com as famílias para iniciar as negociações.

O vice-governador e secretário de Obras do Rio, Luiz Fernando Pezão, enfatizou que os moradores receberão o título de propriedade dos imóveis. “Vamos dar títulos de propriedade a todos os moradores. As famílias poderão fazer melhorias nas suas casas e, claro, inclusive vendê-las. Nós vamos priorizar a titulação no nome das mulheres, para não ter problemas [no caso de o] homem acabar abandonando a família”.

De acordo com Isabel Cristina de Silva, que pertence à associação de moradores de uma das favelas de Manguinhos, as novas moradias estão sendo aguardadas “com ansiedade”. As famílias teriam sido avisados do deslocamento há dois meses, mas ainda não sabem quando serão iniciadas as negociações.


“As pessoas da minha comunidade são muito carentes, algumas moram na beira do rio. Os barracos lá já têm doze anos, e em muitos, a parte de trás já desabou”, disse Isabel Cristina de Silva. “Uma outra parte das famílias irá preferir a indenização. Tem muito nortista, principalmente da Paraíba, que vai querer pegar o dinheiro e voltar para casa”, contou após visitar as obras.


 


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